Hamas dissolve órgão administrativo em Gaza para permitir a gestão de comitê tecnocrático
O Hamas dissolveu o órgão administrativo da Faixa de Gaza e Mohammed al-Farra renunciou ao cargo. A gestão civil será transferida para o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), órgão tecnocrático sediado no Cairo
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O Hamas anunciou, nesta segunda-feira (6), a dissolução do órgão administrativo que governou a Faixa de Gaza por quase duas décadas. A decisão resultou na renúncia de Mohammed al-Farra, chefe do governo ligado ao grupo, e visa abrir caminho para que o Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), um órgão tecnocrático, assuma a gestão civil do território.
A medida ocorre em um cenário de crise humanitária, com o objetivo de mitigar os impactos da guerra, do cerco e do fechamento de fronteiras, além de tentar remover justificativas para a interferência de Israel na região. Para evitar a paralisia administrativa, apenas funcionários técnicos devem ser mantidos em seus cargos até que a transição definitiva para o NCAG seja concluída.
O comitê gestor, atualmente sediado no Cairo, foi instituído pelo Conselho de Paz, órgão criado pelo governo de Donald Trump durante as negociações de cessar-fogo em outubro de 2025. Como condição para a governança, o Conselho de Paz estabeleceu que o NCAG deve deter o controle de todas as armas em circulação no território, sob a premissa de consolidar uma autoridade e lei únicas.
A movimentação do Hamas, que administrava Gaza desde 2007 após conflitos com o Fatah, é vista como um gesto simbólico para destravar a segunda fase de um acordo de cessar-fogo. Enquanto a primeira etapa permitiu a troca de reféns israelenses por prisioneiros palestinos, a fase seguinte — que prevê o desarmamento do grupo, a retirada das forças israelenses e a implantação de uma força internacional de paz — permanece estagnada. Israel, por sua vez, rejeita o retorno do Hamas ao poder e ainda não aceitou a transferência do controle para a Autoridade Palestina.
Apesar da trégua vigente desde 10 de outubro de 2025, as hostilidades persistem. Nesta segunda-feira, ataques israelenses contra áreas residenciais e deslocados no sul e na Cidade de Gaza deixaram cinco mortos e 18 feridos. Desde a implementação do cessar-fogo, as autoridades de saúde em Gaza registraram 1.072 mortes e 3.463 feridos. No total, desde o início do conflito em outubro de 2023, o número de vítimas fatais no território atingiu 73.098, com 173.571 feridos.