Havaí utiliza drones e tecnologia para controlar superpopulação de veados e recuperar flora nativa
A empresa Maui Nui Venison realiza o controle de cerca de 60 mil veados axis nas ilhas de Maui, Lanai e Molokai para reduzir danos à agricultura e flora nativa. A operação utiliza drones infravermelhos para abates noturnos, transformando a carne em produtos gastronômicos e doações para o programa Holo 'Ai. A iniciativa visa estabilizar a população animal para permitir a regeneração de espécies vegetais e aves locais
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A superpopulação de veados axis, também conhecidos como chital, tornou-se um dos maiores desafios ambientais do Havaí. Com exemplares que podem ultrapassar os 90 kg, a espécie — introduzida no século XIX e posteriormente levada para a ilha de Maui para a caça recreativa — proliferou-se em Maui, Lanai e Molokai devido à ausência de predadores naturais e à capacidade de reprodução durante todo o ano.
Atualmente, estima-se que 60 mil animais habitem essas três ilhas. O impacto é severo: os grupos consomem culturas agrícolas, alimentos para outros animais e espécies nativas ameaçadas, muitas vezes arrancando as plantas pelas raízes e deixando vastas áreas de vegetação desnudas. Essa pressão biológica prejudicou a oferta de produtos locais, afetando diretamente a atividade dos agricultores da região.
Operação de controle e processamento
Para mitigar os danos, a empresa Maui Nui Venison implementou um sistema de controle populacional em fazendas privadas. A operação ocorre sob a supervisão de agentes do Departamento de Agricultura dos EUA, que registram cada abate para garantir o controle da fauna.
A logística de retirada dos animais acontece durante a noite, utilizando tecnologia de ponta para superar o terreno acidentado de Maui:
- Drones infravermelhos e visão noturna para localização;
- Veículos off-road para deslocamento;
- Equipes divididas e acompanhadas por inspetores oficiais.
Dependendo das condições climáticas, a operação consegue retirar entre 40 e 55 veados por noite. Em média, cada animal fornece 19 kg de carne, embora machos maiores entreguem volumes consideravelmente superiores.
Impacto gastronômico e social
A carne obtida é processada em filés, carne moída e caldo de ossos, integrando-se à gastronomia local. No restaurante Tiffany's, em Wailuku, o chef Sheldon Simeon utiliza a proteína como substituta da carne de porco moída em certas receitas.
Além do viés comercial, a iniciativa possui um componente de segurança alimentar. A cada quinzena, a Maui Nui Venison destina animais ao programa Holo 'Ai, que processa e distribui a carne gratuitamente para os moradores de Maui. A ação visa reduzir a dependência do Havaí em relação aos produtos importados do continente americano, problema que se tornou mais evidente após a pandemia.
Recuperação ambiental
O foco da estratégia não é a erradicação total da espécie, mas a estabilização da população para permitir a regeneração da flora. Na fazenda Ulupalakua, áreas protegidas já apresentam a recuperação de árvores nativas, como o koa — espécie especialmente vulnerável aos veados —, e o retorno de aves nativas ao ecossistema.