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Irã afirma que negociações com Estados Unidos para encerrar guerra ainda não atingiram consenso

25 de Maio de 2026 às 09:05

O governo do Irã informou nesta segunda-feira que as negociações com os Estados Unidos para encerrar a guerra no Oriente Médio ainda não chegaram a um consenso. Apesar do cessar-fogo vigente desde 8 de abril, persistem bloqueios mútuos à navegação e divergências sobre o programa nuclear iraniano. O Paquistão atua como mediador no processo diplomático

Irã afirma que negociações com Estados Unidos para encerrar guerra ainda não atingiram consenso
JIJI PRESS / JIJI PRESS / AFP

O governo do Irã afirmou, nesta segunda-feira (25), que as negociações com os Estados Unidos para encerrar a guerra no Oriente Médio ainda não atingiram um ponto de consenso, apesar dos progressos recentes. O conflito, iniciado em 28 de fevereiro com ataques americanos e israelenses contra a República Islâmica, resultou no fechamento do Estreito de Ormuz, bombardeios iranianos na região e na alta dos preços globais de energia.

Embora um cessar-fogo entre as forças armadas de ambos os países esteja em vigor desde 8 de abril, as tensões persistem no campo diplomático e logístico. O Irã mantém o bloqueio à navegação no Estreito de Ormuz, enquanto Washington preserva o bloqueio aos portos iranianos. Sobre a situação marítima, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, declarou que Teerã continuará a controlar o tráfego no Estreito de Ormuz mediante a cobrança de taxas destinadas a serviços de navegação e proteção ambiental do Golfo Pérsico e do Mar de Omã, negando que a medida configure a cobrança de pedágios.

A divergência entre as partes ficou evidente após mensagens contraditórias no último fim de semana. Marco Rubio, chefe da diplomacia dos Estados Unidos, sugeriu a iminência de um acordo e afirmou possuir uma proposta sólida e razoável para a reabertura do Estreito de Ormuz. Em contrapartida, Baqaei rebateu a afirmação, classificando-a como insustentável.

Paralelamente, o presidente Donald Trump orientou seus negociadores a não agirem com pressa, argumentando que o tempo favorece os Estados Unidos, e reiterou que o bloqueio aos portos do Irã permanecerá ativo até a assinatura de um tratado definitivo. No plano estratégico, Trump alinhou a posição com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu; ambos concordam que qualquer resolução final deve exigir o desmantelamento do programa nuclear iraniano e a retirada de todo o urânio enriquecido do país. O Irã, por sua vez, condicionou as discussões sobre o enriquecimento de urânio a uma etapa posterior, que ocorreria somente após a concretização de um acordo inicial.

No cenário internacional, o Paquistão tem atuado como mediador. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o comandante do Exército, Asim Munir, estiveram em Teerã no sábado e, nesta segunda-feira, reuniram-se em Pequim com o presidente Xi Jinping e o primeiro-ministro Li Qiang. Sharif destacou que o mundo vive um momento crítico, mas que as negociações avançam na direção correta, agradecendo o apoio chinês na promoção da paz. Donald Trump também manteve conversas telefônicas no sábado com representantes da Turquia, Paquistão, Egito, Jordânia, Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Bahrein para tratar do acordo.

A instabilidade diplomática refletiu-se no mercado de energia. Após a onda de otimismo gerada pelas falas de Rubio, os preços do petróleo registraram queda de quase 5% nesta segunda-feira, com os barris de Brent e West Texas Intermediate (WTI) sendo negociados abaixo de 100 dólares. Apesar da baixa pontual, as cotações permanecem superiores aos níveis registrados antes do início da guerra.

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