Irã autoriza a passagem de navios chineses pelo Estreito de Ormuz após acordo com Pequim
O Irã liberou a passagem de cerca de 30 embarcações pelo Estreito de Ormuz desde quarta-feira (13), após acordo com a China. A medida coincide com a visita de Donald Trump a Pequim, onde foi pactuada a manutenção da abertura da via e a proibição de armamentos nucleares iranianos
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O Irã autorizou a passagem de aproximadamente 30 embarcações pelo Estreito de Ormuz desde a noite de quarta-feira (13), conforme comunicado da Guarda Revolucionária divulgado nesta quinta-feira (14). A medida ocorre após um acordo entre Teerã e Pequim que permitiu a retomada do trânsito de navios chineses pela rota.
A liberação do fluxo acontece simultaneamente à visita oficial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, à capital chinesa. Após a reunião entre Trump e o presidente Xi Jinping, a Casa Branca informou que ambos os líderes concordaram com a manutenção da abertura do estreito e com a impossibilidade de o Irã adquirir armamentos nucleares. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, destacou que a China, principal compradora de petróleo iraniano e aliada do país, possui interesse direto em facilitar a abertura da via marítima.
O controle do Estreito de Ormuz, ponto estratégico entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã para o transporte global de petróleo, tornou-se um centro de tensão entre Washington e Teerã desde o início do conflito em 28 de fevereiro. O governo iraniano utilizou a restrição de circulação como instrumento de pressão contra os Estados Unidos, que reagiram com a intensificação da fiscalização e o bloqueio de navios iranianos.
Embora o Irã tenha alertado que embarcações de nações que apoiam as sanções americanas podem enfrentar dificuldades na travessia, o país tem concedido passagens ocasionais via acordos especiais. Exemplos recentes incluem a liberação de um petroleiro japonês na quarta-feira (13) e de um navio do Catar, este último como gesto de boa vontade aos esforços de mediação conduzidos pelo Catar e pelo Paquistão.
O cenário regional permanece instável, com sucessivos relatos de ataques a navios. A Índia classificou como inaceitável a agressão a uma de suas embarcações na costa de Omã, enquanto a Coreia do Sul condenou veementemente um ataque a um cargueiro de operação sul-coreana ocorrido na segunda-feira (11), aguardando a confirmação da autoria para responder ao incidente. Ainda nesta quinta-feira (14), a agência britânica UKMTO reportou que indivíduos não autorizados assumiram o controle de um navio ancorado no porto de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, conduzindo-o em direção ao território iraniano.