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Irã cria células secretas no Iraque para coordenar ataques contra países do Golfo

19 de Junho de 2026 às 06:06

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã criou células secretas no Iraque para coordenar ataques com drones contra Kuwait, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Entre abril e maio, grupos de combatentes xiitas realizaram ao menos sete ofensivas a partir do sul iraquiano. As operações visam atingir bases e terminais militares que abrigam tropas dos Estados Unidos

Irã cria células secretas no Iraque para coordenar ataques contra países do Golfo
Reuters

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) criou células secretas no Iraque para coordenar ataques contra países do Golfo que abrigam tropas dos Estados Unidos. A estratégia visa contornar as redes de milícias já estabelecidas para evitar a detecção e manter a capacidade de projeção de força da Teerã na região, em um cenário de esgotamento de recursos militares e econômicos do governo iraniano.

Entre 20 de abril e 17 de maio, três ou quatro dessas células — formadas por cerca de 10 combatentes de elite xiitas iraquianos cada — lançaram ao menos sete ataques com drones a partir de áreas desérticas próximas a Samawa e Basra, no sul do Iraque. As operações atingiram alvos no Kuwait, na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos. No Kuwait, as ofensivas miraram a Base Aérea Ali Al Salem e um terminal militar no aeroporto internacional. Já os ataques contra a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos foram interceptados.

Embora alguns integrantes tenham sido recrutados da Resistência Islâmica no Iraque, esses novos grupos operam fora da estrutura de comando da facção, respondendo diretamente ao IRGC. Essa mudança tática ocorre enquanto grupos aliados do Irã enfrentam enfraquecimento e diversas facções xiitas influentes sinalizam a intenção de se desarmar para focar na política interna e evitar confrontos com a gestão de Donald Trump. Recentemente, as Brigadas Imam Ali e o Asaib Ahl al-Haq anunciaram a entrega de armamentos às autoridades estatais após pressões dos EUA.

O uso de grupos menores, ideologicamente rígidos e sob controle direto de Teerã permite ao Irã manter a negação plausível e reduzir a pressão americana sobre o governo de Bagdá para o desarmamento de milícias. A movimentação acontece paralelamente a um acordo provisório assinado entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra, embora o documento não aborde o apoio de Teerã a grupos paramilitares, ponto que o governo iraniano afirmou não estar em discussão.

A instabilidade regional foi agravada por bombardeios americanos e israelenses, levando o Irã a fechar o Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio global de petróleo e gás. Além disso, a rede de alianças de Teerã foi severamente impactada após os ataques do Hamas a Israel em outubro de 2023, as ofensivas contra o Hezbollah no Líbano, os ataques dos EUA e Reino Unido aos Houthis no Iêmen e a queda de Bashar al-Assad na Síria em dezembro de 2024, o que interrompeu rotas de suprimentos para as milícias iraquianas.

Para o novo primeiro-ministro do Iraque, Ali al-Zaidi, a situação representa um desafio imediato. Em reunião com o enviado americano Tom Barrack, Zaidi discutiu planos para a dissolução de grupos armados fora do controle estatal. O governo iraquiano também tenta preservar a reconstrução de laços diplomáticos com os vizinhos do Golfo, que protestaram formalmente contra as incursões em abril.

As autoridades de segurança do Iraque investigam se o ataque de 17 de maio, que provocou um incêndio na usina nuclear de Barakah, e a interceptação de três drones na Arábia Saudita na mesma data foram realizados por esses novos grupos. Zaidi classificou as ações como criminosas e prometeu investigações conjuntas com os países afetados.

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