Irã e Estados Unidos discutem reabertura do Estreito de Ormuz em troca de arsenal nuclear
Irã e Estados Unidos divergem sobre o programa nuclear e a reabertura do Estreito de Ormuz em negociações diplomáticas. Washington exige o fim definitivo das atividades nucleares, enquanto Teerã condiciona discussões à retirada de tropas americanas e ao fim de sanções. Um possível acordo prevê a entrega do arsenal nuclear iraniano em troca da liberação do tráfego marítimo
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O Irã e os Estados Unidos enfrentam um impasse nas negociações diplomáticas, marcado por ameaças mútuas e divergências profundas sobre o programa nuclear e a estabilidade do Estreito de Ormuz. Enquanto o governo norte-americano, representado por Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio, sinaliza que um acordo poderia ser concretizado nesta segunda-feira (25), Teerã reage com ceticismo às pressões de Washington.
A tensão escalou após Donald Trump afirmar, no último sábado (23), que a ausência de um consenso até domingo resultaria em retaliações severas contra o Irã. Posteriormente, o presidente orientou seus negociadores a não demonstrarem pressa, alegando que o tempo favorece os Estados Unidos e que as conversas avançam de maneira construtiva. Em resposta, o porta-voz do Parlamento iraniano, Ebrahim Rezaei, classificou a postura americana como blefe e alertou que a inércia nas negociações poderá elevar o preço do combustível para 6 dólares.
No centro da disputa está a exigência dos Estados Unidos pelo encerramento definitivo do programa nuclear iraniano, ponto rejeitado por Teerã. O diplomata Hossein Noushabadi, do Ministério das Relações Exteriores do Irã, negou rumores sobre a suspensão do enriquecimento de urânio por 20 anos. Para o governo iraniano, a discussão sobre as reservas de urânio e o programa nuclear só ocorrerá em uma etapa posterior, em um prazo de até 60 dias, condicionada à retirada total das forças americanas da região, à liberação de ativos congelados e ao fim de todas as sanções.
O esboço inicial proposto pelo Irã prioriza a cessação de conflitos em todas as frentes, incluindo o Líbano, a suspensão do bloqueio naval imposto pelos EUA desde abril e a liberação para a venda de petróleo. A reabertura do Estreito de Ormuz também integra as pautas. O corredor é vital para a economia global, com 20% da produção mundial de petróleo transitando por ali antes do conflito iniciado em 28 de fevereiro, quando ataques americanos e israelenses levaram o Irã a paralisar o tráfego na região, elevando os preços da commodity.
Informações preliminares indicam um possível entendimento onde o Irã reabriria o Estreito de Ormuz em troca da entrega de seu arsenal nuclear. Sobre a gestão do canal, defende-se que a passagem não deve ser cobrada como taxa, embora serviços prestados na região tenham custos. A questão de Ormuz, especificamente, deve ser tratada bilateralmente entre Irã e Omã.
O cenário atual revive as controvérsias do pacto nuclear de 2015, firmado sob a gestão de Barack Obama, que limitava o programa nuclear iraniano em troca do fim de sanções. Esse acordo é criticado por Israel e outros setores, sob a alegação de que os recursos liberados foram destinados ao financiamento de grupos armados no Oriente Médio. Enquanto isso, Marco Rubio reforça o direito de defesa de Israel e afirma que a diplomacia será exaurida antes que alternativas sejam exploradas.