Israel ataca infraestrutura do Hezbollah em Beirute durante tentativa de acordo entre EUA e Irã
Israel atacou infraestruturas do Hezbollah em Beirute neste domingo (14) em resposta ao lançamento de três projéteis contra o norte do país. A ofensiva ocorreu durante tentativas de formalização de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã
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Israel realizou ataques contra a infraestrutura do Hezbollah em Beirute neste domingo (14), resultando em colunas de fumaça sobre a capital libanesa. O governo de Benjamin Netanyahu justificou a ofensiva como uma resposta a três projéteis lançados pelo grupo contra o norte de Israel, operação que foi comunicada ao Centro de Comando Militar dos Estados Unidos na região.
A ação militar ocorre em um momento crítico, coincidindo com a tentativa de formalização de um acordo de paz entre Estados Unidos e Irã, que poderia ser assinado ainda hoje. O presidente Donald Trump manifestou-se via rede social Truth Social, afirmando que o ataque não deveria ter ocorrido dada a proximidade do pacto. No X, o negociador iraniano Mohammad Baqer Qalibaf interpretou a ofensiva como prova da incapacidade ou falta de vontade americana em cumprir seus compromissos, enquanto o vice-comandante das Forças Armadas do Irã assegurou que as ações israelenses no Líbano não ficariam sem resposta.
A instabilidade na região é marcada por escaladas recentes. Há uma semana, ataques israelenses aos subúrbios de Beirute provocaram o agravamento dos combates, superando a gravidade do cessar-fogo estabelecido em 7 de abril, o que gerou retaliações mútuas entre Teerã e Israel. O conflito atual no Oriente Médio teve início em março, após ataques dos EUA e Israel ao Irã, que levaram o Hezbollah a disparar mísseis contra Israel e resultaram em uma invasão israelense ao Líbano em níveis não vistos há mais de 25 anos.
Para tentar encerrar as hostilidades, que já causaram milhares de mortes, mediadores do Catar viajaram a Teerã neste domingo. Existe um otimismo cauteloso de que o entendimento seja alcançado, o que permitiria a reabertura imediata do Estreito de Ormuz — rota vital para o escoamento global de petróleo, gás natural e fertilizantes, cujo fechamento desestabilizou a economia mundial. Trump e o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, previram a assinatura do documento para este domingo, embora o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, tenha indicado que isso possa ocorrer nos próximos dias. A formalização deve ser feita eletronicamente.
O acordo, fruto de meses de negociações lideradas pelo Paquistão para evitar o colapso do diálogo, não resolve questões centrais como os ativos congelados ou o programa nuclear iraniano, mas estabelece um prazo de 60 dias para discussões técnicas. O texto atual sugere que EUA e Israel não atingiram os objetivos de destruir os programas de mísseis e nuclear do Irã, nem de encerrar o apoio de Teerã a grupos aliados.
Internamente, Trump enfrenta críticas de setores do Partido Republicano, que argumentam que a proposta não melhora os termos do acordo nuclear de 2015. A questão nuclear permanece como ponto de tensão: a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) aponta que o Irã detém 440,9 quilos de urânio enriquecido a 60%, proximidade técnica do nível de 90% necessário para armamentos. Teerã defende a finalidade pacífica do programa e não se comprometeu a abrir mão do urânio, armazenado em instalações subterrâneas danificadas por ataques americanos no ano passado. Trump afirmou que, após a estabilização do cenário, os EUA atuariam para diluir e destruir esse material. A remoção de minas no Estreito de Ormuz deve ser pauta de discussão na cúpula do G7, que inicia nesta segunda-feira.