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Israel e Hezbollah estabelecem cessar-fogo com a manutenção de tropas israelenses no sul do Líbano

19 de Junho de 2026 às 12:11

Israel e Hezbollah iniciaram um cessar-fogo nesta sexta-feira (19), mediado por Estados Unidos, Catar e Irã. O governo israelense manterá tropas no sul do Líbano para criar uma Zona de Segurança. A trégua ocorre após ataques de Israel que causaram 47 mortes e 97 feridos no Líbano

Israel e o Hezbollah estabeleceram um cessar-fogo que entrou em vigor às 16h do horário local do Líbano, correspondente às 10h de Brasília, desta sexta-feira (19). O acordo foi viabilizado por negociadores dos Estados Unidos e do Catar, com a colaboração do Irã.

Representantes do Hezbollah confirmaram a interrupção imediata dos ataques contra Israel assim que a notícia da trégua foi oficializada. Do lado israelense, o comando militar afirmou que as Forças Armadas respeitam as diretrizes da liderança do país, embora as tropas em solo libanês mantenham autonomia para reagir a ameaças iminentes. Apesar da cessação das hostilidades, o governo de Israel confirmou que manterá a presença militar no sul do Líbano.

A implementação da trégua ocorre em um cenário de alta tensão. Poucas horas antes do anúncio, Israel realizou ataques a mais de 80 alvos no Líbano, resultando na morte de dezenas de integrantes do Hezbollah. O Ministério da Saúde do Líbano contabilizou 47 mortos e 97 feridos nas ofensivas desta sexta-feira. As Forças Armadas israelenses justificaram a operação como resposta a violações do cessar-fogo, mencionando a morte de quatro oficiais e o ferimento de outros quatro em um ataque de drone ocorrido na quinta-feira (18).

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu lamentou a perda dos soldados e reiterou que Israel não tolerará agressões ao seu território ou efetivo, reafirmando a decisão de não retirar as tropas do Líbano. O governo israelense pretende manter a ocupação em uma Zona de Segurança, área situada a cerca de 10 quilômetros da fronteira, com o objetivo de proteger os residentes do norte de Israel.

Essa postura diverge do acordo de paz assinado entre Estados Unidos e Irã na quarta-feira (17), que exige o fim dos combates em todas as frentes e a garantia da soberania e integridade territorial do Líbano. Netanyahu tem rejeitado as solicitações do presidente Donald Trump para a retirada militar e a interrupção dos bombardeios.

Fontes próximas ao premiê israelense descrevem as negociações com Washington como difíceis, sustentando que o acordo firmado pelos EUA não supre as preocupações de Israel quanto ao programa nuclear iraniano. A relação entre os dois líderes apresenta sinais de desgaste; Trump admitiu ter tido discussões acaloradas com Netanyahu, chegando a chamá-lo de "louco" e a criticar a destruição de prédios residenciais em Beirute para a caça de militantes. O presidente norte-americano chegou a sugerir que a Síria assumisse a responsabilidade de lidar com o Hezbollah caso Israel não conseguisse operar sem causar mortes generalizadas.

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