Jeddah Tower deve superar a altura do Burj Khalifa antes do encerramento de 2026
A Jeddah Tower, na Arábia Saudita, deve superar a altura do Burj Khalifa até o fim de 2026, com entrega final prevista para agosto de 2028. A estrutura de 1.008 metros de altura terá 167 andares e custo de construção de US$ 1,4 bilhão. O edifício integra o projeto Jeddah Economic City, que prevê a criação de uma área urbana para 80 mil residentes

A Jeddah Tower, na Arábia Saudita, deve superar a altura do Burj Khalifa antes do encerramento de 2026. Projetada pelo escritório Adrian Smith + Gordon Gill Architecture, a obra atingiu o 100º andar em 23 de abril de 2026, impulsionada por um ritmo de construção de um novo pavimento a cada três ou quatro dias desde a retomada dos trabalhos em janeiro de 2025. Essa velocidade é superior à registrada pelo Burj Khalifa em 2008, quando o ciclo de subida levava de cinco a sete dias, e representa um incremento de 30% em relação à fase anterior da torre saudita, resultado da substituição da mão de obra por equipes asiáticas.
A entrega final do empreendimento está programada para agosto de 2028, integrando o programa Saudi Vision 2030. Com 1.008 metros de altura — dimensão que equivale a três vezes a altitude do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro —, a estrutura contará com 167 andares habitáveis e uma área total construída de 530 mil metros quadrados. O projeto utiliza um desenho tripétalo para distribuir a força do vento em três faces, o que limita a oscilação do topo a 1,2 metro mesmo sob ventos de 250 km/h.
O custo direto da construção é de US$ 1,4 bilhão, valor próximo aos US$ 1,5 bilhão gastos no Burj Khalifa em 2010. A torre é o eixo central do projeto Jeddah Economic City, um complexo de US$ 20 bilhões que prevê uma área urbana de 5,3 km², com capacidade para 80 mil residentes e um centro de negócios para 240 mil trabalhadores. A infraestrutura interna inclui um hotel Four Seasons entre o 110º e o 130º andar, além de um observatório no 157º pavimento.
Para viabilizar a subida ao observatório em apenas 1 minuto e 6 segundos, a Kone implementou elevadores com velocidade vertical de 10 metros por segundo, capazes de percorrer 660 metros sem paradas. O sistema utiliza cabos de fibra de carbono ultra-high-modulus, que reduzem o peso dos cabos dos 65 elevadores pela metade em comparação ao aço convencional. Na base, a Thornton Tomasetti utilizou concreto especial com resistência de 85 MPa, enquanto a média de obras brasileiras é de 25 MPa.
A magnitude da obra contrasta com o cenário brasileiro. A Jeddah Tower é 3,56 vezes mais alta que o Yachthouse Residence Club (281 metros), o edifício mais alto do Brasil, e supera também o Infinity Coast (261 metros). De acordo com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção, o país nunca planejou arranha-céus acima de 300 metros, devido a custos de fundações em solos arenosos e restrições aerodinâmicas.
O histórico da obra foi marcado por instabilidades. Paralisada em 2018 após a operação anticorrupção do príncipe Mohammed bin Salman, que resultou na detenção de executivos do consórcio no hotel Ritz-Carlton de Riad, a construção foi retomada apenas recentemente. O cronograma prevê que a torre atinja 700 metros até dezembro de 2026, com a instalação do pináculo iniciando em 2027.
Embora a torre simbolize a diversificação econômica da Arábia Saudita por meio do petrodólar, o projeto enfrenta questionamentos sobre a sustentabilidade em uma região desértica com escassez hídrica e alertas sobre possíveis novas paralisações decorrentes do cenário político do reino.