Justiça dos Estados Unidos indicia Raúl Castro por homicídios e derrubada de aeronaves civis
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou Raúl Castro e outras cinco pessoas por quatro homicídios, destruição de aeronaves e conspiração. A acusação refere-se à derrubada de dois aviões do grupo "Brothers to the Rescue" em fevereiro de 1996
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O Departamento de Justiça dos Estados Unidos indiciou criminalmente o ex-presidente de Cuba, Raúl Castro, de 94 anos. A acusação envolve quatro homicídios, dois crimes de destruição de aeronave e conspiração para matar cidadãos americanos. Outras cinco pessoas também figuram como rés no processo.
O caso central da denúncia remete a fevereiro de 1996, quando dois aviões civis do grupo anticastrista "Brothers to the Rescue", composto por exilados cubanos nos EUA, foram derrubados. O incidente resultou na morte de quatro tripulantes, sendo três deles americanos. Na época, Raúl Castro ocupava o cargo de ministro da Defesa, enquanto a presidência da ilha estava sob o comando de seu irmão, Fidel Castro.
A medida ocorre em um momento de escalada nas tensões entre Washington e Havana. O presidente Donald Trump declarou que os Estados Unidos estão "libertando Cuba" e afirmou não poder prever os desdobramentos futuros para a ilha. A pressão americana intensificou-se após a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, em janeiro, levando os EUA a exigirem reformas profundas no sistema político e econômico cubano, demandas que o governo de Havana rejeita sob a justificativa de soberania nacional.
Para ampliar a pressão, Washington implementou um embargo petrolífero que agravou a crise energética local. Além disso, em 1º de maio, Donald Trump assinou uma ordem executiva que expande as sanções comerciais, financeiras e econômicas aplicadas à ilha há mais de seis décadas.
Raúl Castro, que completa 95 anos no próximo dia 3, possui uma trajetória marcada pela atuação militar e política. Foi guerrilheiro ao lado de Fidel e Che Guevara em 1958 para depor Fulgencio Batista e instaurar o regime socialista. Como ministro da Defesa por 50 anos, coordenou o envio de milhares de militares para lutas de independência na África, especialmente em Angola, entre as décadas de 1970 e 1980.
Após assumir a presidência em 2008, sucedendo o irmão, Raúl adotou uma gestão pragmática, implementando reformas econômicas que permitiram a venda de imóveis e o crescimento do setor privado, além de flexibilizar viagens ao exterior e libertar opositores. Em 2014, promoveu o restabelecimento das relações diplomáticas com os Estados Unidos, processo que foi interrompido em 2016 com a primeira chegada de Donald Trump à Casa Branca. Raúl Castro deixou a presidência em 2021, aos 89 anos, transferindo o cargo para Miguel Díaz-Canel.