Keiko Fujimori consolida vitória nas eleições presidenciais do Peru com apuração de quase todas as urnas
Keiko Fujimori lidera a apuração do segundo turno presidencial no Peru com 50,118% dos votos, superando Roberto Sánchez por 43.386 votos. A proclamação oficial do governo está prevista para 15 de julho, após a análise de atas remanescentes. Sánchez contesta o resultado, alega fraudes e solicita a recontagem dos votos
Keiko Fujimori consolidou uma vantagem irreversível na apuração do segundo turno das eleições presidenciais do Peru nesta quarta-feira (24). Com 99,859% das urnas contabilizadas, a candidata do partido Fuerza Popular soma 9.206.241 votos (50,118%), superando Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú, que possui 9.162.855 votos (49,822%). A diferença de 43.386 votos torna a vitória de Fujimori matematicamente certa, já que restam menos de 40 mil votos a serem apurados.
Apesar do cenário numérico, a proclamação oficial do novo governo deve ocorrer apenas em meados de julho. A previsão é que as credenciais sejam entregues no dia 15, após o Escritório de Processos Eleitorais (ONPE) receber as resoluções das atas remanescentes que estão sob análise do Jurado Nacional de Eleições (JNE). O órgão máximo do sistema eleitoral peruano realiza audiências para processar cada ata, com sessões agendadas até sexta-feira (26). A expectativa é que esses resultados sejam transmitidos ao ONPE até 7 de julho.
A lentidão no processo é característica do sistema peruano, influenciada pelo uso de cédulas de papel, a logística em zonas remotas, a votação de cidadãos no exterior e a margem estreita entre os concorrentes. No pleito realizado em 7 de junho, Sánchez chegou a liderar a contagem por alguns dias, mas foi ultrapassado por Fujimori após a inclusão dos votos de peruanos residentes fora do país.
O candidato de esquerda, no entanto, não reconhece o resultado. Na última terça-feira (23), Sánchez alegou fraudes e convocou manifestações para o sábado (27), além de solicitar a recontagem dos votos. Na segunda-feira (22), ele apresentou um novo recurso para anular a votação realizada no exterior, citando supostas falhas administrativas e de gestão das cédulas. Juristas especializados em direito eleitoral apontam que tal pedido carece de fundamento jurídico e tem como objetivo apenas retardar a oficialização do vencedor.