Keiko Fujimori vence as eleições presidenciais do Peru após três derrotas consecutivas
Keiko Fujimori venceu as eleições presidenciais do Peru com 50,135% dos votos, superando Roberto Sánchez. A nova presidente propõe o combate à criminalidade por meio de leis antiterroristas e ampliação do papel das Forças Armadas. Seu partido, Força Popular, elegeu 22 senadores e 45 deputados
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Keiko Fujimori venceu as eleições presidenciais do Peru e assumirá a Casa de Pizarro, sede do Executivo, após conquistar 50,135% dos votos contra 49,865% de Roberto Sánchez. A vitória encerra um ciclo de mais de 15 anos de tentativas, marcados por três derrotas consecutivas em 2011, 2016 e 2021.
A candidata de 51 anos, formada em administração de empresas nos Estados Unidos, possui uma trajetória política iniciada na adolescência e consolidada em 2006, quando obteve a maior votação da história para um parlamentar ao ser eleita para o Congresso. Filha do ex-presidente Alberto Fujimori, falecido em 2024, Keiko herdou um sobrenome que divide a opinião pública peruana, mas que agora serve como símbolo de combate ao crime para parte do eleitorado.
A estratégia de campanha focou na restauração da ordem e da estabilidade, explorando a onda de homicídios e extorsões no país. Fujimori propõe a implementação de leis antiterroristas rigorosas, a ampliação do papel das Forças Armadas e a condução de uma "guerra frontal" contra a criminalidade, incluindo a expulsão de migrantes que cometam crimes. Essa abordagem remete ao governo de seu pai na década de 1990, quando o grupo guerrilheiro Sendero Luminoso foi derrotado com apoio militar.
Para reduzir a rejeição, que caiu de 59% no primeiro turno para 40% antes do segundo turno, a candidata adotou uma postura mais conciliadora e democrática, buscando se diferenciar da imagem do pai, embora mantenha alinhamento a algumas de suas ideias.
No campo jurídico, Keiko enfrentou investigações por suposto financiamento irregular de campanha, caso arquivado no ano passado, e passou quase um ano e meio em prisão preventiva entre 2018 e 2020, sob suspeita de lavagem de dinheiro ligada ao escândalo da Odebrecht.
Com a vitória, Fujimori precisará consolidar sua base no Legislativo. Seu partido, o Força Popular, elegeu 22 senadores e 45 deputados, totalizando, junto a outras forças de direita, 30 cadeiras no Senado e 63 na Câmara.
A ascensão de Keiko ocorre em um cenário de alta rotatividade presidencial, com oito governantes desde 2016. Enquanto críticos a associam à instabilidade política devido à atuação do Força Popular no Congresso, seus aliados a descrevem como disciplinada e determinada. No âmbito pessoal, a nova presidente é divorciada de um americano, mãe de duas filhas e mantém a influência de quem conviveu com chefes de Estado desde os 19 anos.