Keir Starmer anuncia renúncia ao cargo de primeiro-ministro do Reino Unido
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, renunciou ao cargo nesta segunda-feira (22) após 23 meses de gestão. Um sucessor do Partido Trabalhista deve assumir a liderança até setembro, com indicações de nomes previstas para iniciar em 9 de julho
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira (22) a sua renúncia ao cargo. A decisão ocorre após 23 meses de gestão, encerrando um governo que, apesar de ter iniciado com uma vitória expressiva nas urnas, tornou-se o sétimo mandato de chefe de governo no país em uma década. Um sucessor do Partido Trabalhista deve assumir a liderança até setembro.
A ascensão de Starmer, ex-advogado, foi marcada por um resultado eleitoral raro na Europa contemporânea. Nas eleições de 2024, a sigla de centro-esquerda conquistou mais de 410 assentos no Parlamento, garantindo a maioria necessária para governar sem a necessidade de coalizões ou pactos com outros partidos. Na época, a vitória "limpa" foi interpretada como um retorno à estabilidade política britânica.
Contudo, a sustentabilidade do governo foi corroída por crises sucessivas. No campo econômico, a gestão não conseguiu dinamizar a economia, que permaneceu estagnada, e promoveu o aumento de impostos e o corte de subsídios para idosos. Paralelamente, a imagem de austeridade de Starmer foi desgastada por revelações da imprensa sobre o recebimento de presentes de luxo — como roupas de grife, ingressos para jogos de futebol e shows de Taylor Swift — por ele e seus ministros. Embora as doações estivessem dentro das normas parlamentares, o impacto reputacional foi significativo.
A instabilidade política se aprofundou em fevereiro de 2026, com a renúncia do chefe de gabinete de Starmer. O motivo foi a indicação de Peter Mandelson para o cargo de embaixador nos EUA, ignorando os vínculos de Mandelson com Jeffrey Epstein, erro admitido publicamente pelo premiê.
O declínio de popularidade culminou em maio, com a derrota histórica do Partido Trabalhista em eleições regionais, onde a sigla perdeu centenas de cadeiras em parlamentos locais. Naquele período, a rejeição à liderança de Starmer atingiu 79%, enquanto apenas 13% da população aprovava seu governo, o pior índice registrado desde 1977.
A pressão interna intensificou-se no último mês, com cerca de 100 parlamentares da própria legenda exigindo a saída do premiê. O cenário tornou-se insustentável após a vitória de Andy Burnham, principal rival interno de Starmer, em uma cadeira parlamentar na última quinta-feira (19), o que abriu caminho para um desafio direto à liderança do partido.
Em comunicado oficial, Starmer informou ter conversado com o rei Charles e manifestou o desejo de uma transição pacífica. Ele solicitou que o comitê executivo nacional do partido defina o cronograma para a escolha do novo líder, com as indicações de nomes previstas para começar em 9 de julho. Em tom de despedida, afirmou que dedicará mais tempo à família e que o partido assume agora uma Grã-Bretanha mais justa e forte.
Para assumir o cargo, o substituto precisará do apoio de 20% dos parlamentares trabalhistas — o que corresponde a 81 nomes, dado que a sigla detém 403 cadeiras — além de respaldo de organizações de base e sindicatos. Caso apenas um candidato atinja esses requisitos, ele será empossado sem votação; se houver mais de um qualificado, a escolha será decidida por voto de todos os membros e afiliados da legenda.