Keir Starmer condena violência em protestos contra atuação policial no caso de Henry Nowak
O primeiro-ministro Keir Starmer condenou confrontos em Southampton ocorridos após a condenação de Vickrum Digwa pelo assassinato de Henry Nowak. Manifestações lideradas por grupos de extrema-direita resultaram em 11 policiais feridos e dois detidos. O governo rebateu a tese de tratamento policial desigual levantada por figuras políticas e ativistas
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, condenou a violência desencadeada por protestos contra a atuação policial no caso de Henry Nowak, estudante de 18 anos morto a facadas em Southampton, no sul da Inglaterra. A instabilidade cresceu após a divulgação de imagens que mostram o jovem algemado enquanto agonizava, chegando a declarar que não conseguia respirar.
O crime ocorreu em 3 de dezembro de 2025, quando Nowak retornava de uma festa. Recentemente, a Justiça condenou Vickrum Digwa, de 23 anos, a no mínimo 21 anos de prisão pelo assassinato. Ficou comprovado que Digwa mentiu às autoridades ao alegar que teria sido vítima de insultos racistas antes do ataque.
A repercussão do veredicto e a circulação do vídeo motivaram manifestações que culminaram em confrontos na noite de terça-feira. Em Southampton, cerca de 100 pessoas, lideradas por grupos de extrema-direita, atacaram agentes com tijolos, sinalizadores, cadeiras e grades arrancadas, chegando a empurrar uma caçamba em chamas contra a linha policial. A resposta da polícia envolveu o uso de escudos de choque e jatos de água. O saldo do conflito foi de 11 policiais feridos e dois detidos.
O episódio foi apropriado por figuras da extrema direita, como Nigel Farage e o ativista Tommy Robinson, que traçaram um paralelo entre as últimas palavras de Nowak e as de George Floyd, morto em 2020 nos Estados Unidos. Eles utilizam o caso para sustentar a tese da "polícia de dois níveis", alegando que cidadãos brancos receberiam tratamento menos favorável do que minorias étnicas. O empresário Elon Musk também se envolveu na questão, oferecendo financiamento para uma ação judicial contra a polícia.
No Parlamento, Starmer rebateu a teoria da "polícia de dois níveis", rejeitando a existência de tal sistema. O premiê classificou como "imperdoáveis" as declarações de Farage, que instou a população a reagir com "raiva pura e fria", e acusou o líder do partido Reform UK de explorar a tragédia para fomentar a divisão social e o ressentimento. A postura do governo contrasta com o apelo do pai de Henry Nowak, que pediu para que a morte do filho não fosse utilizada para gerar ódio ou tensão.