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Líder Supremo do Irã anuncia novas regras para a gestão do Estreito de Ormuz

10 de Abril de 2026 às 12:02

O líder supremo do Irã, Seyyed Mojtaba Khamenei, anunciou novas regras para a gestão do Estreito de Ormuz após o fechamento da via. O aiatolá condicionou a boa vontade de Teerã ao distanciamento dos países do Golfo Pérsico de Estados Unidos e Israel

O novo líder Supremo do Irã, aiatolá Seyyed Mojtaba Khamenei, anunciou a implementação de novas regras para a gestão do Estreito de Ormuz. A medida ocorre após o fechamento da via, por onde circula 20% do petróleo e gás mundial, ação que provocou a alta global nos preços de energia e serviu como retaliação aos bombardeios realizados por Estados Unidos e Israel contra o território persa desde 28 de fevereiro.

Em pronunciamento transmitido pelas emissoras nacionais na noite de quinta-feira (9), durante as homenagens aos 40 dias da morte de seu pai, Ali Khamenei, o líder afirmou que o Irã considerará todas as frentes de batalha no Oriente Médio, incluindo a Faixa de Gaza e o Líbano. A estratégia envolve o chamado Eixo da Resistência, grupo composto por partidos e organizações que combatem a política de Washington e Tel Aviv, a exemplo do Hamas, Hezbollah e Huthis.

Mojtaba Khamenei direcionou avisos aos países do Golfo Pérsico — Arábia Saudita, Bahrein, Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos —, que foram alvos de mísseis iranianos sob a acusação de colaborar com os adversários. O aiatolá condicionou a demonstração de fraternidade e boa vontade do Irã ao distanciamento desses vizinhos em relação aos Estados Unidos e Israel, alertando contra promessas externas. Ele afirmou ainda que exigirá indenizações pelos danos causados e pelas vítimas da guerra.

O cenário ocorre após 40 dias de conflito, período que resultou em um cessar-fogo de duas semanas para negociações entre as potências. No entanto, ataques massivos de Israel ao Líbano levaram Teerã a ameaçar a interrupção do acordo.

Internamente, o líder Supremo convocou a população a manter as manifestações nas ruas, argumentando que a mobilidade social é fundamental para a dignidade do país, independentemente do andamento das negociações com o inimigo. Khamenei destacou que o período de guerra promoveu a união entre diferentes setores da sociedade iraniana e solicitou apoio mútuo entre os cidadãos para enfrentar a escassez de recursos. Por fim, recomendou que a população ignore ou encare com ceticismo as informações divulgadas por meios de comunicação estrangeiros.

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