Líder supremo do Irã critica Estados Unidos e classifica Israel como base militar norte-americana
O líder supremo do Irã, Motjaba Khamenei, criticou os Estados Unidos nas redes sociais e classificou Israel como uma base militar norte-americana. Enquanto Donald Trump afirma que o Irã concordou em não possuir armas nucleares, Teerã condiciona a trégua a um cessar-fogo no Líbano
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O líder supremo do Irã, Motjaba Khamenei, utilizou as redes sociais nesta quinta-feira (4) para criticar os Estados Unidos, afirmando que o país foi derrotado na guerra e tenta reverter esse cenário por meio da disseminação de discórdia, medo, desconfiança e desespero. Khamenei, que assumiu a liderança iraniana após a morte do pai no início do conflito e ainda não realizou aparições públicas, também classificou Israel como uma base militar estabelecida pelos norte-americanos.
As declarações ocorrem em um momento de contradições entre as narrativas de Teerã e Washington. Na quarta-feira (3), em entrevista a um podcast, o presidente Donald Trump demonstrou otimismo sobre a evolução rápida das conversas, afirmando que o Irã concordou em não possuir armas nucleares. Trump manifestou o desejo de conhecer Khamenei, indicando que o líder iraniano participa das negociações de paz e que ambos se encontrarão futuramente.
Apesar do tom conciliador da Casa Branca, a tensão militar persiste. Mohsen Rezaei, conselheiro militar de Khamenei, publicou ameaças na rede social X após bombardeios dos EUA contra a ilha de Qeshm e um petroleiro iraniano, ações que provocaram retaliações do Irã contra o Bahrein e o Kuwait nesta quarta-feira.
O cenário diplomático é complexo, com o Irã condicionando qualquer trégua com os Estados Unidos à implementação de um cessar-fogo efetivo no Líbano. O porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei, defendeu na segunda-feira (1º) que o fim dos ataques no Líbano é essencial para as negociações, acusando Washington de violar o cessar-fogo vigente desde 7 de abril. Baghaei ressaltou que Teerã adotará as medidas necessárias para garantir a segurança nacional.
Paralelamente, Israel intensificou operações no Líbano contra o Hezbollah, grupo apoiado pelo regime iraniano, após ter realizado os primeiros ataques contra o Irã com suporte de tropas americanas.
Em entrevista à ABC News na segunda-feira, Donald Trump defendeu que os dois países cheguem a um acordo para reabrir o Estreito de Ormuz — rota por onde transita 20% da produção global de petróleo — e estender o cessar-fogo na próxima semana. O presidente norte-americano afirmou ter superado um impasse após o Irã ameaçar suspender as tratativas devido aos confrontos entre Israel e Hezbollah.
O impasse central das negociações permanece sendo o programa nuclear. Enquanto os Estados Unidos exigem o compromisso formal de que o Irã jamais desenvolverá armas nucleares, o governo de Teerã sustenta que tal tema não está em pauta no momento.