Manifestante morre durante protesto contra construção de centro de quarentena para Ebola no Quênia
Um manifestante morreu baleado nesta terça-feira (9) durante protestos contra a construção de uma unidade de quarentena para Ebola em Nanyuki, no Quênia. A operação policial resultou em dez detenções e no uso de gás lacrimogêneo e canhões de água. A estrutura, financiada pelos Estados Unidos com US$ 13,5 milhões, visa prevenir a disseminação da variante Bundibugyo
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Um manifestante morreu baleado nesta terça-feira (9) durante um protesto em Nanyuki, na região central do Quênia. O conflito ocorreu ao lado da Base Aérea de Laikipia, onde os Estados Unidos iniciaram a construção de uma unidade de quarentena com 50 leitos destinada a cidadãos americanos expostos ao Ebola. A morte aconteceu em meio a um tumulto que envolveu centenas de pessoas e resultou no uso de canhões de água e gás lacrimogêneo pela polícia, além da detenção de ao menos 10 indivíduos.
A população local se opõe à instalação do centro, autorizada pelo governo queniano, por medo de contágio através dos pacientes transportados para a unidade. O temor reflete-se também na economia regional; a manifestante Priscilla Imani relatou que a presença da estrutura de quarentena tem afastado turistas que visitam a reserva natural de rinocerontes e escalam o Monte Quênia. Esta fatalidade soma-se a outras duas mortes registradas na semana anterior em contextos semelhantes.
Enquanto o Ministro da Saúde, Aden Duale, argumenta que a estrutura atenderá a todos e não apenas a americanos, o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, anunciou um investimento de US$ 13,5 milhões para fortalecer a preparação do Quênia contra a doença. Até o momento, não há registros de casos de Ebola no país no surto atual.
A urgência da medida ocorre diante da disseminação rápida da variante Bundibugyo do vírus na República Democrática do Congo (RDC) e em Uganda. Na RDC, há 282 casos confirmados e mais de 1.000 suspeitos de uma variante que não possui vacina ou tratamento aprovados, elevando o risco de uma epidemia regional. A Organização Mundial da Saúde (OMS) indicou que o surto na RDC provavelmente começou há alguns meses e que a resposta internacional foi tardia.
O Ebola é caracterizado por ser uma doença rara e grave, com taxa média de letalidade de 50%. A transmissão ocorre por meio do contato direto com superfícies contaminadas ou fluidos corporais, sangue e secreções de pessoas infectadas.