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Marco Rubio nega que as negociações de paz entre Estados Unidos e Irã tenham sido interrompidas

02 de Junho de 2026 às 12:12

O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, negou a interrupção das negociações de paz com o Irã sobre o programa nuclear. O governo iraniano afirma que os diálogos foram suspensos em resposta a ataques israelenses no Líbano

Marco Rubio nega que as negociações de paz entre Estados Unidos e Irã tenham sido interrompidas
REUTERS/Evan Vucci

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, refutou nesta terça-feira (2) a informação de que as negociações de paz com o Irã tenham sido interrompidas. A declaração ocorre após o governo de Teerã alegar ter suspendido os diálogos como retaliação a ofensivas israelenses no Líbano, movimento que fragilizou o cessar-fogo entre Washington e Teerã. Durante sabatina no Congresso, Rubio afirmou que o Irã concordou em discutir a questão do programa nuclear, ponto central de divergência entre as nações.

Apesar da negativa do diplomata, fontes do governo iraniano informaram à agência Fars News que não há comunicação entre os negociadores de ambos os países há dias. O cenário de instabilidade reflete a complexidade da guerra iniciada em 28 de fevereiro, que já impactou a economia global ao reduzir o tráfego de navios petroleiros no Estreito de Ormuz. Como a rota é responsável por cerca de 20% do comércio mundial de gás natural e petróleo, a interrupção provocou a alta nos preços dos combustíveis.

No plano político interno, a condução do conflito por Donald Trump enfrenta resistências crescentes dentro do Partido Republicano. No mês passado, o Senado avançou com uma proposta para obrigar a retirada dos Estados Unidos da guerra, iniciativa que ganhou tração após o apoio do senador Bill Cassidy, da Louisiana. Na Câmara dos Representantes, a liderança republicana barrou a votação de uma resolução sobre os poderes de guerra do presidente para evitar a derrota da medida no plenário.

Rubio, ex-senador republicano, tem defendido a decisão de Trump de iniciar o conflito, embora a volatilidade dos objetivos da guerra tenha dificultado essa sustentação. Em sua primeira deposição formal ao Congresso desde o início das hostilidades, o secretário recorda que já havia participado de uma reunião sigilosa com parlamentares logo após os primeiros ataques de Israel e dos EUA. Naquela ocasião, Rubio foi criticado por democratas devido à ausência de autorização prévia do Legislativo para a operação, embora tenha contado com o apoio da maioria republicana.

A agenda de Rubio no Capitólio segue até quarta-feira (3), com passagens pelas comissões de Apropriações da Câmara e de Relações Exteriores do Senado e da Câmara, onde também apresentará o pedido anual de orçamento do Departamento de Estado.

Além da crise no Oriente Médio, o diplomata deve responder sobre o endurecimento da política externa em relação a Cuba. O governo Trump sugeriu que a ilha possa ser o próximo alvo militar após o fim das operações contra o Irã. Rubio defende que Cuba ameaça a segurança nacional dos Estados Unidos por seus vínculos com adversários de Washington. As tensões foram agravadas por ameaças recentes e pelo anúncio de acusações criminais contra o ex-presidente Raúl Castro, medida que o atual presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, classificou como uma manobra política para justificar uma agressão militar.

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