Marinha da Rússia integrará submarino nuclear projetado para disparar mísseis hipersônicos até o final de 2026
A Marinha da Rússia integrará o submarino nuclear Perm até o fim de 2026. A embarcação da classe Yasen-M transporta até 32 mísseis de cruzeiro e é projetada para operar com o míssil hipersônico 3M22 Zircon
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A Marinha da Rússia integrará ao seu arsenal, até o final de 2026, o submarino nuclear Perm. O anúncio foi feito pelo almirante Alexander Moiseyev, comandante-em-chefe da força naval, durante as celebrações do Dia da Marinha. A embarcação é a primeira de sua classe e foi projetada especificamente para operar com o míssil 3M22 Zircon.
Capacidades técnicas e armamento
Com 130 metros de comprimento, 13 metros de boca e deslocamento de aproximadamente 13.800 toneladas, o Perm pertence ao projeto 885M, da classe Yasen-M. Diferente de modelos anteriores que passaram por adaptações posteriores, esta unidade já nasceu com a arquitetura de combate e os sistemas de lançamento vertical integrados para o uso de projéteis modernos.
Essa estrutura permite que o submarino transporte até 32 mísseis de cruzeiro, além de torpedos pesados para enfrentar alvos de superfície e outras embarcações submarinas. A versatilidade do armamento possibilita que a tripulação configure cargas mistas, combinando os mísseis Kalibr, Oniks e Zircon, dependendo se a missão for um ataque a instalações terrestres, infraestruturas costeiras ou operações antisubmarinas.
O diferencial do míssil hipersônico
O ponto central da nova plataforma é a capacidade de disparar o 3M22 Zircon. Este míssil hipersônico atinge velocidades entre Mach 8 e Mach 9, podendo golpear alvos a distâncias que variam de 500 a 1.000 km. Devido à alta velocidade e à capacidade de manobra durante o voo, o projétil reduz o tempo de reação do adversário e dificulta a interceptação por sistemas de defesa aérea.
A união da propulsão nuclear, que garante autonomia e discrição acústica, com o armamento hipersônico, permite que o Perm se aproxime de áreas estratégicas e realize ataques precisos antes mesmo de ser detectado por forças navais rivais.
Estratégia de dissuasão e sistemas autônomos
A expansão da frota de submarinos nucleares ocorre paralelamente ao avanço do Poseidon, um veículo submarino não tripulado. O presidente Vladimir Putin afirmou que este sistema está próximo de entrar em serviço de combate.
O Poseidon é um veículo autônomo de propulsão nuclear, capaz de operar em profundidades extremas por longos períodos e transportar uma carga nuclear. Ele será lançado a partir de submarinos modificados, como o Belgorod, funcionando como um instrumento de resposta estratégica e dissuasão.
A incorporação do Perm e o desenvolvimento do Poseidon evidenciam a prioridade de Moscou em fortalecer capacidades de guerra submarina e sistemas projetados para superar as defesas convencionais, mesmo em um cenário onde as celebrações navais deste ano foram reduzidas por questões de segurança ligadas ao conflito na Ucrânia.