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Marinha Espanhola implementa sistema de combate colaborativo para integrar navios e drones em rede

01 de Outubro de 2026 às 06:43 3 min de leitura

A Marinha Espanhola implementa o sistema de combate SCOMBA NG, desenvolvido pela Navantia, para estabelecer um modelo de combate colaborativo via rede Naval Combat Cloud. A tecnologia integra sensores e armas de navios, satélites, drones e estações terrestres em um mapa operacional comum. A eficácia do sistema foi testada nos exercícios REPMUS 26, com a operação do drone marítimo SEAD 23 pelo navio A-61 Carnota

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Marinha Espanhola implementa sistema de combate colaborativo para integrar navios e drones em rede
Juanjo Fernández

A Marinha Espanhola está implementando uma mudança estrutural em sua estratégia de defesa com a introdução do SCOMBA NG, um novo sistema de combate que funciona como o "cérebro" das embarcações. Desenvolvido pela Navantia, o sistema evolui o modelo de operação individual dos navios para um conceito de combate colaborativo, onde múltiplas plataformas operam de forma interconectada e coordenada.

Diferente da versão anterior, em uso desde 2010, que focava na gestão interna de sensores e armas de cada navio, o SCOMBA NG integra ativos externos em uma rede inteligente denominada Naval Combat Cloud. Essa arquitetura permite que qualquer ameaça detectada por um sensor — seja ele de um navio, de um satélite, de uma estação terrestre ou de um drone — seja visível em tempo real para todas as unidades da rede, permitindo que qualquer arma disponível no conjunto execute o ataque, independentemente de onde esteja localizada.

Integração de dados e planejamento dinâmico

A principal inovação do sistema é a criação de um Common Operational Picture (mapa operacional comum). Enquanto sistemas anteriores, como o NAIAD, permitiam a digitalização e centralização de dados, o SCOMBA NG promove a distribuição dessas informações em rede.

Essa infraestrutura possibilita o planejamento dinâmico, permitindo que os comandos adaptem as estratégias em tempo real conforme a evolução do cenário. O sistema supera a lógica de soma de ativos para criar um conjunto onde a informação é compartilhada globalmente, inclusive com postos de comando em terra.

Embora apresente semelhanças com o sistema americano CEC (Cooperative Engagement Capability), a proposta espanhola possui um alcance maior. Enquanto o modelo dos Estados Unidos é focado primordialmente na defesa antiaérea, o SCOMBA NG busca a coordenação de operações em diferentes domínios, unindo navios, aeronaves e drones em uma arquitetura comum.

Testes e sistemas não tripulados

A eficácia dessa nova doutrina foi testada durante os exercícios REPMUS 26 da OTAN, realizados na península de Tróia, em Portugal. O evento, que reuniu cerca de 1.500 participantes de 36 países, é a maior iniciativa global dedicada à experimentação de sistemas marítimos não tripulados.

Durante as manobras, a Espanha utilizou o navio A-61 Carnota para demonstrar a versatilidade do novo sistema. A embarcação operou o SEAD 23, o primeiro drone marítimo autônomo adquirido pela Marinha Espanhola. Com 7 metros de comprimento e 2 toneladas de deslocamento, o drone foi equipado com:

  • Montagem RWS Guardian 2.0 da Escribano M&E;
  • Módulo de lançamento de munições merodeadoras Q-SLAM 40 da Arquimea.

Panorama de tecnologias robóticas

Os exercícios em Portugal também serviram como vitrine para diversas tecnologias de robótica naval, incluindo:

  • Superfície: O Saab Enforcer 3 (Suécia), com velocidade de 45 nós; o Trator do Mar (Portugal), especializado em luta antisubmarina com propulsão elétrica; e modelos da empresa ucraniana UFORCE, fabricante do drone Magura.
  • Submarinos: O AUV62-MR da Saab, voltado ao rastreamento de minas em profundidades de até 300 metros, e a munição merodeadora S-wise da Arquimea.
  • Aéreos: Drones do tipo Zeppelin e o modelo M5D Airfox.

A transição para sistemas como o SCOMBA NG reflete a nova realidade dos conflitos modernos, onde a superioridade militar não depende apenas da potência individual de um navio ou míssil, mas da capacidade de integrar drones e embarcações em uma única unidade de combate.

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