Mergulhadores britânicos localizam destroços do navio de guerra HMS Tiger após 118 anos de desaparecimento
Mergulhadores do ProjectXplore localizaram os destroços do navio de guerra HMS Tiger a 62 metros de profundidade na Baía de La Mancha. A embarcação afundou em 1908 após colidir com o HMS Berwick, resultando em 35 mortes. A estrutura foi encontrada dividida em duas seções
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Mergulhadores britânicos localizaram os destroços do HMS Tiger, navio de guerra da Marinha Real que estava desaparecido há 118 anos. A estrutura foi encontrada a 62 metros de profundidade, na Baía de La Mancha, próximo à ilha de Wight.
A descoberta é o resultado de um trabalho de cinco anos conduzido pelo ProjectXplore, que utilizou arquivos históricos, documentos da Marinha Real e medições submarinas para delimitar a área de busca. A fase operacional de localização começou em setembro de 2022, com o emprego de magnetômetros, sonar e explorações físicas.
Detalhes do naufrágio e a localização
O navio foi encontrado dividido em duas seções, separadas por aproximadamente 140 metros e orientadas no eixo leste-oeste. A primeira detecção ocorreu em novembro de 2025, mas a confirmação da identidade da embarcação exigiu seis meses de inspeções adicionais. A fragmentação da estrutura dificultou a busca, pois os destroços repousam em um fundo rochoso próximo a rotas comerciais.
O acidente aconteceu em 1908, durante manobras noturnas, quando o HMS Tiger colidiu com o cruzador HMS Berwick. O impacto, ocorrido na parte central do navio, partiu a embarcação ao meio, que afundou em poucos minutos. O naufrágio resultou na morte de 35 homens, incluindo o comandante, tenente William Middleton, além de um cachorro e um macaco que integravam a tripulação.
Evidências técnicas e lições históricas
A preservação de instrumentos de navegação permitiu a reconstrução dos momentos finais da embarcação. Na popa, a cobertura de vidro do telégrafo de revoluções do motor permanece intacta, revelando que o HMS Tiger não reduziu a velocidade nem alterou a rota antes da colisão.
Na época, investigações concluíram que nenhuma das tripulações teve culpa no acidente. O tenente engenheiro Cecil Vinning, sobrevivente do desastre, relatou em julgamento que a escuridão da noite e a intensidade das luzes de sinalização impediram a visibilidade. Como consequência direta do episódio, o comando britânico proibiu o uso de lanternas de sinalização em ataques noturnos.
Preservação do patrimônio marítimo
A localização do navio coincide com discussões no governo britânico sobre a ampliação da proteção jurídica de naufrágios militares por meio do Armed Forces Bill. A Marinha Real defende que embarcações como o HMS Tiger sejam transformadas em áreas de preservação assim que identificadas.
O objetivo é permitir a visitação, mas impedir qualquer alteração ou extração de materiais sem autorização prévia, garantindo que esses sítios históricos sejam preservados para gerações futuras.