Mergulhadores voluntários localizam destroços do navio Tampa no Atlântico após três anos de pesquisa
Mergulhadores do grupo Gasperados localizaram os destroços do navio Tampa, da Guarda Costeira dos Estados Unidos, a 95 metros de profundidade no Canal de Bristol. A embarcação foi torpedeada por um submarino alemão em 26 de setembro de 1918, resultando na morte de 131 pessoas

Mergulhadores voluntários do grupo Gasperados, sediado no sudoeste da Inglaterra, localizaram no Atlântico os destroços do Tampa, navio da Guarda Costeira dos Estados Unidos que sofreu a maior perda de vidas em combate naval americano durante a Primeira Guerra Mundial. A embarcação foi torpedeada por um submarino alemão em 26 de setembro de 1918, no Canal de Bristol, resultando na morte de todas as 131 pessoas a bordo.
A descoberta ocorreu a quase 95 metros de profundidade, após três anos de pesquisa da equipe em documentos de arquivo, relatórios de guerra e registros de navios. A confirmação do naufrágio baseou-se na identificação de itens como projéteis de artilharia, âncoras, vigias de latão e equipamentos da ponte de comando, comparados a dados fornecidos por historiadores da Guarda Costeira. Um ponto determinante foi a localização de uma caldeira aquatubular, tecnologia característica de navios de guerra da época, em contraste com as caldeiras flamotubulares utilizadas em embarcações mercantes.
O Tampa operava na escolta de comboios entre Gibraltar e a Grã-Bretanha, tendo completado 18 missões em onze meses após a entrada dos Estados Unidos no conflito, em 1917. No dia do naufrágio, a embarcação estava com baixas reservas de carvão. O capitão Charles Satterlee teve um pedido inicial para deixar a formação negado ao meio-dia, devido ao risco de navegar sozinho durante o dia. A autorização foi concedida apenas ao final da tarde. O navio seguia para o norte, com luzes apagadas em uma noite sem lua, quando foi avistado e atingido pelo submarino alemão. Na ocasião, um operador de rádio relatou ter sentido a explosão subaquática, mas o navio jamais chegou ao porto.
A tragédia vitimou 111 membros da Guarda Costeira, quatro da Marinha dos Estados Unidos e 16 civis e marinheiros britânicos. Entre as vítimas estavam jovens como Irving Alexander Slicklen, alistado aos 15 anos, e Joseph Lieb. O impacto foi severo para a Guarda Costeira, que possuía menos de 4.000 integrantes no início da guerra e registrou a maior porcentagem de baixas entre todos os ramos militares americanos no conflito. Na época, apenas detritos, coletes e alguns corpos não identificados foram recuperados.
A localização dos destroços mobilizou familiares de tripulantes que, embora cientes da perda do navio, desconheciam o ponto exato do naufrágio. A Gasperados planeja retornar ao local para coletar novas evidências, incluindo a fotografia de um extintor de incêndio onde possivelmente consta o nome "Tampa". Caso a confirmação oficial seja estabelecida, a área será oficialmente designada como um túmulo de guerra.