Mina de Cigar Lake no Canadá utiliza congelamento de solo para extrair urânio de alto teor
A mina de Cigar Lake, no Canadá, extrai urânio de alto teor utilizando congelamento artificial do solo e jateamento remoto para mitigar riscos radiológicos. Gerida pela Cameco Corporation, a operação transporta o material para a usina de McClean Lake sob fiscalização da Comissão Canadense de Segurança Nuclear
A mina de Cigar Lake, localizada na Bacia de Athabasca, no norte de Saskatchewan, no Canadá, é atualmente a operação de urânio de maior teor do mundo. Gerido pela Cameco Corporation, o empreendimento iniciou sua produção em 2014, com a operação comercial declarada em maio de 2015. Devido à alta complexidade do terreno, que consiste em arenito poroso saturado de água e rochas instáveis, a extração exige soluções de engenharia avançadas para mitigar riscos radiológicos e evitar a entrada de água pressurizada nas galerias.
Para viabilizar a mineração, a Cameco implementou um sistema de congelamento artificial do solo ao redor das zonas de extração. O processo utiliza a circulação de salmoura resfriada por tubulações subterrâneas, atingindo temperaturas próximas a 40 graus Celsius negativos para criar uma barreira estável na rocha. A liberação de cada trecho para a mineração ocorre apenas após a confirmação de que os parâmetros operacionais de congelamento foram atingidos.
A retirada do minério é realizada por meio do *jet boring system*, um método de jateamento remoto que dispensa o uso de explosivos ou escavação manual. A partir de túneis situados abaixo da zona mineralizada, jatos de água em alta pressão fragmentam o material congelado, transformando-o em uma polpa mineral. Essa mistura de água e urânio é transportada por tubulações fechadas para as etapas de moagem, espessamento e bombeamento, eliminando a circulação de blocos expostos e reduzindo a dispersão de partículas nas áreas de trabalho.
A estratégia operacional prioriza o distanciamento entre os trabalhadores e o minério de alto teor. Os operadores controlam os equipamentos a partir de áreas protegidas, deslocando a tecnologia para as zonas de maior risco em vez de equipes humanas. Para garantir a segurança, a mina utiliza sensores e instrumentos de medição constantes que monitoram a radiação gama, a qualidade do ar, a circulação de água e a presença de radônio, permitindo ajustes imediatos na ventilação e nos protocolos de proteção.
Após a extração, o material é acondicionado na superfície e transportado por estrada, seguindo normas rígidas para substâncias radioativas, até a usina de McClean Lake, operada pela Orano, situada a 70 quilômetros de distância. O urânio extraído segue então para a cadeia de combustível nuclear, passando por processos de conversão e enriquecimento.
A operação é classificada como uma instalação nuclear licenciada e está sob a fiscalização da Comissão Canadense de Segurança Nuclear, além de depender de autorizações ambientais provinciais. Em 2021, a licença da mina foi renovada após audiências públicas que incluíram a participação de grupos indígenas e representantes locais. O rigor regulatório abrange programas de radioproteção, gestão de efluentes e monitoramento do impacto na região de florestas boreais e lagos onde a mina está inserida.