Moradores de Chicago pedem a interrupção de projeto de robôs entregadores em calçadas do bairro Lakeview
Moradores de Chicago, especialmente do bairro de Lakeview, assinaram uma petição com mais de 800 nomes pedindo o fim de um projeto de robôs entregadores. A mobilização ocorre após relatos de colisões com pedestres e obstáculos urbanos. As empresas responsáveis alegam seguir normas municipais e limitar a velocidade das máquinas
A circulação de robôs entregadores de comida pelas calçadas de Chicago, especialmente no bairro de Lakeview, transformou-se em um ponto de conflito entre a inovação tecnológica e a segurança urbana. O que inicialmente surgiu como uma solução moderna de logística, utilizando máquinas sobre rodas para transportar pedidos, passou a ser visto por parte da população local como uma intrusão no espaço público.
A insatisfação dos moradores culminou em uma petição que já soma mais de 800 assinaturas, solicitando a interrupção do projeto piloto. A mobilização, liderada por Josh Robertson, argumenta que a prioridade das calçadas deve ser a vida urbana e a segurança de quem transita, e não a logística automatizada de empresas privadas.
Apesar de as máquinas possuírem nomes amigáveis, como Roland, Sully e Stacey, a aparência simpática não mitigou os riscos relatados. Houve registros de colisões com abrigos de ônibus e incidentes com pedestres. Um dos casos envolve Anthony Jonas, que precisou de atendimento médico com suturas após colidir com um dos robôs ao sair de sua residência.
O debate central concentra-se na acessibilidade e na segurança de grupos vulneráveis, como crianças, idosos e pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, que dependem de vias livres para se locomoverem. A presença de obstáculos automatizados em calçadas movimentadas gera desconforto e riscos de quedas e ferimentos.
Em resposta às críticas, as empresas responsáveis afirmam que seguem as normas municipais e monitoram a segurança, destacando que os robôs limitam a velocidade a 5 milhas por hora e reduzem a rapidez ao detectar pedestres. No entanto, para os signatários da petição, a baixa velocidade não resolve a questão da ocupação do espaço público e a falta de transparência sobre a responsabilidade em caso de acidentes.
O episódio em Chicago evidencia que a implementação da automação em centros urbanos enfrenta barreiras que vão além dos desafios técnicos, esbarrando na convivência real com a dinâmica das cidades e na disputa pelo uso de áreas compartilhadas.