Noruega construirá o primeiro túnel do mundo destinado ao tráfego de embarcações oceânicas
A Noruega construirá o primeiro túnel para embarcações oceânicas do mundo na península de Stadlandet, com previsão de início em 2027 e conclusão em 2032. A obra, orçada em 8,6 bilhões de coroas norueguesas, terá entre 1,7 e 2,2 quilômetros de extensão para conectar o fiorde Moldefjord ao Kjødepollen
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A Noruega dará início à construção do primeiro túnel para embarcações oceânicas do mundo, após partidos de centro-esquerda do Parlamento (Stortinget) chegarem a um acordo sobre o orçamento nacional. O projeto, aprovado originalmente em 2021, havia sido suspenso no final de 2025 devido à alta nos preços de materiais, mas foi recuperado na nova revisão orçamentária. A votação final do investimento está marcada para 19 de junho, com a previsão de que as obras comecem no início de 2027.
A obra será erguida no ponto mais estreito da península de Stadlandet, conectando o fiorde Moldefjord ao Kjødepollen, no Vanylvsfjord. Com um custo estimado em 8,6 bilhões de coroas norueguesas (aproximadamente 776 milhões de euros), a estrutura terá entre 1,7 e 2,2 quilômetros de extensão, incluindo as entradas sobre a água. O túnel contará com 50 metros de altura total, 36 metros de largura e 33 metros de altura livre do nível do mar, permitindo a passagem de ferries, cruzeiros, barcos de pesca e as embarcações da rota Hurtigruten, desde que possuam calado de até 12 metros e mangas de até 16 metros.
A necessidade da infraestrutura decorre da periculosidade do mar de Stadhavet, na costa oeste do país, onde tempestades ocorrem cerca de 100 dias por ano e geram ondas de até 30 metros. Atualmente, a península de Stadlandet funciona como um gargalo logístico, forçando cargueiros e navios de transporte de salmão a aguardarem dias por condições climáticas favoráveis. Esse cenário provoca atrasos na entrega de produtos perecíveis e sobrecarrega a malha ferroviária, que serve como alternativa. Para o prefeito regional de Trøndelag, Tore O. Sandvik, a obra é essencial para garantir que o salmão exportado para o continente chegue fresco, evitando que o mau tempo transforme o produto em pescado fermentado.
Embora túneis para embarcações existam desde 1679, como o de Malpas, na França, todos foram projetados para rios, canais ou portos. O projeto norueguês inova ao ser a primeira estrutura desse tipo voltada ao tráfego marítimo oceânico.
A Administração Costeira Norueguesa já avaliou as propostas de três consórcios finalistas: AF Gruppen, Eiffage Génie Civil e a parceria entre Skanska e Vassbakk & Stol. Após a divulgação da empresa vencedora, haverá um prazo para eventuais contestações antes da assinatura do contrato definitivo. Simultaneamente, serão abertas licitações para a instalação de novas tubulações de água e a demolição de edifícios nas proximidades do canteiro de obras.
A conclusão da obra está prevista para 2032. O governo norueguês projeta que a nova rota reduza em até 60% as emissões de gases e o consumo de combustível ao eliminar desvios e esperas prolongadas. Além do ganho ambiental, espera-se que a infraestrutura impulsione o turismo regional e fortaleça os setores de aquicultura e pesca, aliviando a pressão sobre as estradas e ferrovias do país.