Mundo

Nova Delhi sediará Cúpula dos Líderes do Brics em meio a divergências internas entre membros

10 de Setembro de 2026 às 18:00 3 min de leitura

Nova Delhi sediará a Cúpula dos Líderes do Brics nos dias 12 e 13 de setembro. O evento busca a redação de uma declaração conjunta em meio a divergências entre Irã e Emirados Árabes Unidos. O encontro contará com a presença de líderes da China, Rússia, África do Sul, Egito, Indonésia e do Secretário-Geral da ONU

-0:00
Nova Delhi sediará Cúpula dos Líderes do Brics em meio a divergências internas entre membros
© BRICS/DIVULGAÇÃO

Nova Delhi sediará, nos dias 12 e 13 de setembro, a Cúpula dos Líderes do Brics, com a missão de ampliar a projeção global do bloco em um cenário de profundas divisões internas. O encontro ocorre em um momento crítico, marcado por tensões no Oriente Médio, especialmente após ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, país que integra o grupo desde 2024.

O conflito resultou no fechamento virtual do Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o fluxo global de energia, o que impulsionou os preços do petróleo bruto para patamares superiores a US$ 100 o barril.

Desafios para a coesão do bloco

O principal entrave para a cúpula é a divergência entre Teerã e Abu Dhabi, que se encontram em lados opostos da guerra. Essa polarização dificulta a redação de uma declaração conjunta, objetivo central do evento. O Kremlin já admitiu que as diferenças entre os Emirados Árabes Unidos e o Irã impactam negativamente a elaboração de consensos.

A dificuldade em alinhar discursos não é recente. Em maio, durante reunião anterior em Nova Delhi, os ministros das Relações Exteriores do bloco não conseguiram emitir um documento comum devido a esses mesmos impasses. A expansão do grupo — que agora inclui Egito, Etiópia, Irã, Emirados Árabes Unidos e Indonésia, além dos fundadores Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — reflete a vontade de representar o Sul Global, mas a diversidade de visões dos novos membros pode reduzir a eficácia operacional da entidade.

Articulação diplomática e lideranças

A China busca posicionar-se, junto à Índia, como o eixo de estabilidade do grupo. O presidente Xi Jinping fará sua primeira visita ao país indiano em sete anos, reforçando a importância estratégica do bloco para Pequim. Além dele, a cúpula contará com a presença de:

  • Vladimir Putin (Rússia);
  • Masoud Pezeshkian (Irã);
  • Cyril Ramaphosa (África do Sul);
  • Abdel Fattah al-Sisi (Egito);
  • Prabowo Subianto (Indonésia);
  • António Guterres (Secretário-Geral da ONU).

Os Emirados Árabes Unidos serão representados pelo príncipe herdeiro de Abu Dhabi, xeque Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan. Já a Arábia Saudita, que mantém status ambíguo no grupo sem ter aceitado a adesão plena, enviará o ministro das Relações Exteriores, Faisal bin Farhan Al Saud.

Perspectivas de acordo

Apesar do clima de tensão, há indícios de que um consenso seja possível. Recentemente, a cúpula da Organização de Cooperação de Xangai conseguiu redigir um texto aceitável para membros com posições opostas, no qual líderes como Narendra Modi, Xi Jinping, Vladimir Putin e Masoud Pezeshkian condenaram as sanções ocidentais e a ofensiva militar contra o Irã.

Embora uma eventual declaração do Brics possa não alterar a geopolítica imediata, ela serviria como um manifesto de países emergentes contra políticas econômicas restritivas. Somado a isso, a adoção de medidas protecionistas e tarifas unilaterais pelos Estados Unidos tem servido como catalisador para que as nações do bloco busquem maior união, inclusive por meio de agendas bilaterais e trilaterais.

Notícias Relacionadas