Nova York utiliza porcelana de vasos sanitários descartados para criar recifes artificiais de ostras
Nova York criou recifes artificiais de ostras na Jamaica Bay utilizando porcelana de 5 mil vasos sanitários descartados. A iniciativa, do Departamento de Proteção Ambiental e do Billion Oyster Project, introduziu 50 mil moluscos em quatro estruturas para recuperação ecológica

Nova York implementou um experimento de restauração ambiental em Jamaica Bay, uma de suas principais áreas costeiras, ao utilizar porcelana de aproximadamente 5 mil vasos sanitários descartados para a criação de recifes artificiais de ostras. A iniciativa, anunciada em 2016 pelo Departamento de Proteção Ambiental da cidade em parceria com o Billion Oyster Project, transformou resíduos que seriam destinados a aterros sanitários em substrato para a fixação de moluscos.
O material originou-se de um programa de modernização de escolas públicas da cidade, que substituiu sanitários antigos e ineficientes para reduzir o consumo de água. A porcelana foi triturada e misturada a conchas de ostras e mariscos, formando a base física necessária para que ostras jovens pudessem se prender e crescer. Ao todo, cerca de 50 mil ostras foram introduzidas em quatro recifes artificiais menores, projetados para testar a recuperação ecológica em ambientes urbanos degradados.
A escolha da porcelana como "esqueleto" para os recifes fundamenta-se na necessidade biológica das ostras de encontrar superfícies rígidas para a formação de colônias. Além de servirem como habitat para a vida marinha, esses organismos atuam como engenheiros do ecossistema, filtrando a água e reduzindo a energia das ondas, o que protege as áreas úmidas contra a erosão costeira.
Essa ação integra um esforço histórico de recuperação do porto de Nova York. No início do século 20, a região possuía populações abundantes de ostras, mas a poluição, o despejo de esgoto e a pesca excessiva dizimaram esses recifes. O Billion Oyster Project trabalha agora com a meta de restaurar 1 bilhão de ostras no porto até 2035, unindo ciência cidadã e educação.
O reaproveitamento da porcelana também foi aplicado em estruturas de drenagem urbana, conhecidas como bioswales. O projeto converteu, assim, um item que gerava desperdício hídrico no interior das escolas em uma ferramenta de infraestrutura ecológica para a reconstrução de funções naturais perdidas no fundo da baía.