Nuvens impedem a observação do primeiro eclipse solar total em 114 anos no norte da Espanha
Nuvens densas impediram a observação do primeiro eclipse solar total em 114 anos no norte da Espanha, afetando turistas em Astúrias, Cantábria e Galícia. Apenas pessoas em áreas elevadas, como Pajares, visualizaram o fenômeno. O evento causou ocupação máxima em hotéis de Gijón e Avilés
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Nuvens densas impediram que milhares de pessoas assistissem ao primeiro eclipse solar total na Península Ibérica em 114 anos, ocorrido no norte da Espanha. O fenômeno, que atraiu turistas de diversos países para a região de Astúrias, foi obstruído por uma cobertura nublada que persistiu na costa e em partes do interior do Principado, além de afetar áreas da Cantábria e da Galícia.
Divergência em previsões meteorológicas
A expectativa do público foi alimentada por modelos meteorológicos conflitantes. Enquanto algumas previsões indicavam céu nublado durante a maior parte do dia, outras sugeriam que as nuvens se dissipariam ao final da tarde. Na zona central e ocidental de Astúrias, a previsão mais pessimista prevaleceu.
O cenário começou com nuvens densas na costa logo ao amanhecer. Embora tenha havido uma melhora no tempo a partir do meio-dia, a nublosidade retornou após as 15h, inicialmente como névoa e, posteriormente, como nuvens espessas. O geógrafo e meteorologista Pablo Heres destacou que a previsão de nuvens de verão é complexa devido à influência rápida de fatores como temperatura, vento e umidade.
Houve uma disparidade técnica entre os modelos utilizados:
- O Harmonie-Arome, usado pela AEMET, já alertava desde terça-feira sobre a cobertura de nuvens na costa asturiana.
- O Arome, da Météo-France, apresentava maior granularidade (pixels de 1,3 km² contra 2,5 km² do modelo espanhol) e previa um céu limpo, pronóstico que se mostrou incorreto.
Impacto no turismo e mobilidade
O evento gerou um impacto econômico significativo na hotelaria local. Estabelecimentos em Gijón e Avilés, como o Hotel Hernán Cortés e o Hotel Palacio Avilés, registraram ocupação máxima com reservas efetuadas ainda no ano anterior. Em alguns casos, 60% dos hóspedes viajaram exclusivamente para observar o fenômeno.
A frustração foi generalizada em pontos de observação designados, como a praia de San Juan, em Avilés, e a praia de Salinas. Visitantes da França, Itália e Áustria, além de moradores de Oviedo, relataram o desapontamento de não conseguir visualizar o Sol.
Diante da nebulosidade costeira, a recomendação de Alejandro Calvo, conselheiro de Mobilidade e Emergências do Principado, era de que o público antecipasse o deslocamento para o interior. Quem não planejou a mudança de local enfrentou o dilema entre arriscar congestionamentos históricos em estradas rumo às montanhas ou aceitar a perda do evento.
Apenas aqueles que se deslocaram para áreas mais elevadas, como Pajares, conseguiram observar o eclipse sob céu azul.