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OMS e União Africana investem 518 milhões de dólares para conter surto de ebola

05 de Junho de 2026 às 12:04

A OMS e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África destinaram 518 milhões de dólares para conter um surto da cepa Bundibugyo de ebola na República Democrática do Congo e no Uganda. A ação ocorre entre junho e novembro, enquanto a Moderna e a Cepi desenvolvem uma vacina específica para a variante

OMS e União Africana investem 518 milhões de dólares para conter surto de ebola
GLODY MURHABAZI / AFP

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África, órgão de saúde da União Africana, estabeleceram um plano conjunto de 518 milhões de dólares (R$ 2,6 bilhões) para conter um surto de ebola na África Central. A estratégia, com execução prevista entre junho e novembro, visa interromper a propagação da doença e mitigar riscos de expansão.

O surto, declarado em 15 de maio no nordeste da República Democrática do Congo (RDC), é causado pela cepa Bundibugyo, uma variante rara que possivelmente circulou sem detecção por algum tempo. A incidência é maior do que os registros anteriores dessa mesma cepa, ocorridos em 2007 e 2012. No Congo, a doença atingiu três províncias, concentrando 90% dos casos confirmados e 76% dos óbitos na região de Ituri. A propagação já alcançou o Uganda, onde 16 casos foram confirmados, resultando em uma morte.

A resposta sanitária enfrenta obstáculos financeiros e logísticos. A OMS relatou dificuldades na operação no Congo devido à redução de recursos globais para a saúde, citando cortes promovidos pelo governo de Donald Trump e a saída dos Estados Unidos da organização em janeiro. Paralelamente, o Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) informou que recebeu apenas 34% dos R$ 7,9 bilhões (US$ 1,4 bilhão) solicitados para ações humanitárias no Congo este ano, sendo que mais da metade desse montante veio de Washington.

Nesse cenário, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, anunciou que o país retomará a participação na Gavi, aliança global de vacinas que reúne entes públicos e privados. A decisão ocorre após o governo Trump ter retirado o financiamento da organização no ano passado. A Gavi já disponibiliza 2 mil doses de vacinas contra ebola no Congo para eventuais testes ou campanhas emergenciais.

A complexidade da variante Bundibugyo, descrita como incomum e imprevisível, impede a existência de uma vacina aprovada especificamente para ela. Como alternativa, avalia-se o uso emergencial da vacina Ervebo, da Merck — desenvolvida para a cepa Zaire —, que demonstrou proteção cruzada em animais. A decisão final sobre a aplicação cabe aos governos do Congo e de Uganda. No campo do desenvolvimento, a farmacêutica Moderna firmou parceria com a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi) para criar uma vacina contra a cepa Bundibugyo. A Cepi investirá até US$ 50 milhões nos testes iniciais da Moderna, além de financiar projetos da Universidade de Oxford e da International AIDS Vaccine Initiative.

Para o diagnóstico, a BioFire Defense, da empresa francesa bioMérieux, amplia a produção do teste BioFire Global Fever Special Pathogens Panel, aprovado pelo FDA, que identifica diversas variantes do vírus, inclusive a Bundibugyo.

A contenção da doença no leste do Congo é dificultada por conflitos armados e entraves logísticos, que prejudicam tanto o controle sanitário quanto a realização de estudos clínicos. A OMS recomenda a priorização de tratamentos e vacinas experimentais, enfatizando que o diagnóstico precoce é fundamental para a recuperação dos pacientes.

Recentemente, houve uma queda no número de casos suspeitos monitorados na África Central. Em 31 de maio, a OMS contabilizava 116 casos suspeitos na RDC, contra 906 registrados na semana anterior. A redução deve-se à exclusão de centenas de notificações após a constatação de que os pacientes apresentavam febres não relacionadas ao ebola ou outras patologias.

Com informações de G1

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