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OMS lança plano de 518 milhões de dólares para combater surto de ebola no Congo

07 de Junho de 2026 às 15:04

A província de Ituri, na República Democrática do Congo, registra um surto da variante Bundibugyo do ebola com 488 casos e 86 mortes, além de 19 casos e dois óbitos em Uganda. A OMS lançou um plano de US$ 518 milhões para combater a epidemia, que não possui vacinas ou tratamentos aprovados

A província de Ituri, no leste da República Democrática do Congo, enfrenta um surto da variante Bundibugyo do ebola, doença que se espalhou silenciosamente por semanas antes de ser detectada. O epicentro da crise está na zona de mineração de Mongbwalu, onde a transmissão comunitária ativa foi confirmada pelas autoridades locais após o registro de 71 novos casos em um único dia, na última quinta-feira. Até sexta-feira (5), o país contabilizava 488 casos confirmados e 86 mortes. A propagação já atingiu a Uganda, com 19 casos e dois óbitos registrados.

A resposta sanitária é dificultada pela ausência de vacinas e tratamentos aprovados para essa variante específica, forçando as equipes médicas a focarem apenas no controle dos sintomas. O Ministério da Saúde do Congo oficializou o surto em 15 de maio, mas o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, destacou que o vírus teve vantagem inicial devido à incapacidade dos hospitais regionais de testar corretamente a cepa circulante.

No Hospital Geral de Referência de Mongbwalu, o diretor médico Richard Lokudu e sua equipe lidam com um fluxo crescente de pacientes, inclusive em horários noturnos, operando com recursos mínimos. A escassez de insumos básicos, como botas, luvas, máscaras e medicamentos, marcou o início do combate à doença. Lokudu relatou a impossibilidade de investigar todos os alertas recebidos por falta de meios de transporte para deslocamento em campo.

A crise é agravada por um sistema de saúde deteriorado por anos de falta de investimento, conforme aponta Heather Kerr. Além disso, a instabilidade política na região, marcada por ataques de militantes islâmicos e pelo conflito entre o governo congolês e o grupo rebelde M23, apoiado por Ruanda, prejudica as ações de contenção.

No âmbito social, o ceticismo da população e a desconfiança em relação aos hospitais aceleraram a transmissão, que ocorre pelo contato com fluidos corporais de infectados. Relatos locais, como o de Asero Jeanne, que perdeu dois filhos para a doença após confundir os sintomas com malária, ilustram a resistência inicial da comunidade em buscar auxílio médico. O impacto humano atinge também os profissionais de saúde, com registros de mortes entre as equipes de resposta.

Diante do cenário, o diretor-geral da OMS lançou, na última sexta-feira, um plano de US$ 518 milhões para combater a epidemia, condicionando o sucesso da operação ao financiamento sustentável, ao compromisso político e à confiança das comunidades. Paralelamente, profissionais na linha de frente, como Lokudu, reivindicam a regularização salarial e o reconhecimento financeiro dos trabalhadores que sacrificam o descanso para atuar no controle do vírus. O governo congolês não se manifestou sobre as demandas de remuneração. Até o momento, pelo menos cinco pessoas recuperaram-se da infecção.

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