ONU aprova proposta para alterar representação cartográfica global e eliminar distorções de dimensões continentais
A Assembleia Geral da ONU aprovou a proposta Corrija o mapa, liderada pelo Togo e nações africanas, com 164 votos favoráveis. A medida substitui a projeção de Mercator pelo modelo Equal Earth para eliminar distorções dimensionais de continentes. O objetivo é garantir a equidade de representação cartográfica global

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou, nesta sexta-feira (4), a proposta “Corrija o mapa”, que visa alterar a representação cartográfica global para eliminar distorções históricas de dimensões continentais. Liderada pelo Togo e por outras nações africanas, a iniciativa obteve o apoio de 164 países, registrando seis abstenções e apenas um voto contrário, proveniente dos Estados Unidos.
A medida busca substituir a predominância da projeção de Mercator, criada em 1569 para auxiliar a navegação. Embora amplamente difundida em materiais oficiais, digitais, midiáticos e educacionais, essa representação amplia as massas de terra situadas ao norte e ao sul da linha do Equador, resultando em uma escala reduzida para a África, a América do Sul e o Sul da Ásia.
Impactos da representação cartográfica
A União Africana, ao fundamentar a proposta, argumentou que a manutenção desses mapas perpetua uma visão desequilibrada do mundo, gerando vieses históricos com reflexos geopolíticos, socioeconômicos, culturais, educacionais e cognitivos. Para a organização, os mapas são ferramentas essenciais que moldam o imaginário coletivo e a percepção global.
A correção dessas dimensões é vista como um passo para a justiça cognitiva e a reparação memorial, promovendo a dignidade dos povos e a compreensão mútua. A ONU reforça que a mudança não se limita a um ajuste técnico, mas a uma correção na percepção global, alinhando-se ao Pacto para o Futuro de 2024, que prevê a erradicação de discriminações e a eliminação de desigualdades estruturais e históricas.
O modelo Equal Earth
Para solucionar a imprecisão, os representantes da União Africana propuseram a adoção do modelo Equal Earth (Terra Igual). Esta projeção é apontada como a alternativa mais precisa para representar as dimensões reais de todos os continentes.
Com a aprovação da resolução, a ONU pretende incentivar que governos, entidades internacionais e outras organizações adotem esse novo padrão cartográfico para garantir a equidade de representação no mapa-múndi.