Mundo

Painéis solares flutuantes viabilizam a irrigação de pastagens em comunidade nos Andes peruanos

18 de Maio de 2026 às 18:10

Moradores de Chullpia, no Peru, instalaram 34 painéis solares flutuantes para bombear água de uma lagoa para 11 reservatórios. O sistema, apoiado pelo PNUD, irriga pastagens de lhamas, alpacas e vicunhas em região com escassez de chuvas e rede elétrica

Painéis solares flutuantes viabilizam a irrigação de pastagens em comunidade nos Andes peruanos
Painéis solares flutuantes irrigam pastos nos Andes peruanos e ajudam famílias rurais a enfrentar seca e falta de água.

Moradores da comunidade de Chullpia, na região de Puno, nos Andes peruanos, implementaram um sistema de painéis solares flutuantes para viabilizar a irrigação de pastagens em uma área severamente afetada por secas, geadas e solo desgastado. A iniciativa, que surgiu de uma proposta de Juansergio Castro, graduado em Ciências Agropecuárias pela Universidade do Altiplano, transforma a lagoa local — recurso já conhecido pela população há décadas — em uma fonte regular de água para a agricultura, superando a carência de infraestrutura e o acesso limitado à rede elétrica convencional.

A estrutura, desenvolvida com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), consiste em 34 módulos solares montados sobre metal e borracha reciclada. Durante o dia, a captação de radiação solar gera a eletricidade necessária para alimentar um motor que bombeia a água da lagoa para 11 reservatórios. A partir daí, o recurso é distribuído para as áreas de pastagem, reduzindo a dependência histórica das chuvas em uma região situada a 4 mil metros de altitude.

A irrigação é fundamental para a recuperação das pastagens que alimentam lhamas, alpacas e vicunhas, animais que sustentam a economia rural do sul do Peru e fornecem fibras para a indústria têxtil. Sem esse sistema, a escassez de chuvas provoca a secagem rápida dos pastos e a perda da capacidade produtiva do solo, comprometendo a alimentação do rebanho e a renda das famílias andinas.

A escolha por módulos flutuantes evita a ocupação de terras que poderiam ser utilizadas para atividades agrícolas. Além disso, a tecnologia elimina a necessidade de motores a diesel, cujo custo e logística de abastecimento são elevados em localidades isoladas, e diminui a vulnerabilidade da comunidade diante da ausência de infraestrutura elétrica.

A implementação do projeto exigiu esforço coletivo dos moradores na construção dos reservatórios e instalação de tubulações, enfrentando inclusive danos causados por chuvas intensas antes da conclusão do sistema. O modelo agora integra o conhecimento tradicional de gerações sobre o clima e a criação de animais em altitude com a energia renovável, permitindo que as áreas verdes permaneçam produtivas mesmo em períodos de estiagem severa.

De acordo com o PNUD, a região de Puno já sofre impactos das mudanças climáticas, manifestados por tempestades imprevisíveis, geadas e secas. Nesse cenário, o bombeamento solar atua como uma ferramenta de adaptação climática, conferindo maior previsibilidade ao trabalho no campo e estabilidade alimentar aos rebanhos, embora não solucione isoladamente problemas estruturais como a pobreza rural e o isolamento da região.

Notícias Relacionadas