Países Baixos preparam infraestrutura para desativar e reciclar milhares de aerogeradores eólicos
Os Países Baixos preparam a desativação de mais de 3.000 aerogeradores, focando no descarte de pás de fibra de vidro e carbono. A empresa Circular Recycling Company recicla esses materiais para a construção civil em sua planta de Rotterdam. O Porto de Róterdam planeja operar, em 2029, um terminal de 45 hectares para processar componentes eólicos
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Os Países Baixos iniciam a preparação para enfrentar um desafio ambiental iminente: a desativação de milhares de aerogeradores. Com mais de 3.000 turbinas instaladas entre terra e mar, o país entra em uma fase de transição tecnológica, já que a vida útil desses equipamentos é de aproximadamente 20 anos, podendo ser estendida por mais uma década. No entanto, a substituição por novas gerações de turbinas é preferível devido à maior potência de geração de energia e ao alto custo de manutenção das antigas.
Embora o Reino Unido e a Dinamarca tenham sido pioneiros na instalação de grandes parques eólicos na Europa e enfrentem a desativação em larga escala primeiro, a Holanda acelera a criação de infraestrutura para lidar com o volume de resíduos. A Espanha também terá um número expressivo de instalações para desmontar, embora tenha um prazo maior, de dez anos, para atingir o pico desse processo.
O desafio do descarte das pás eólicas
A complexidade da desativação reside nas dimensões e nos materiais dos equipamentos. Enquanto as torres terrestres chegam a 200 metros de altura, as marítimas podem ultrapassar 250 metros. O ponto crítico são as pás eólicas, que medem entre 45 e 80 metros em terra e superam os 100 metros em parques marinhos.
Cerca de 90% de um aerogerador — incluindo aço, cobre, alumínio e concreto das fundações — é facilmente reciclável ou reutilizável. O problema concentra-se nas pás, compostas por fibras de vidro ou fibra de carbono unidas a resinas poliméricas. Essa combinação, que garante leveza e resistência, dificulta a separação dos materiais para reaproveitamento.
Soluções tecnológicas de reciclagem
Para mitigar esse impacto, a empresa Circular Recycling Company (CRC) desenvolveu um processo de processamento de materiais compostos. A companhia realiza a reciclagem mecânica de 80% das pás, gerando matéria-prima para a fabricação de novos produtos. Os 20% restantes, que se transformam em pó, passam por reciclagem química para a produção de óleo utilizado na fabricação de plásticos.
Atualmente, esse material reciclado é aplicado na construção civil em itens como:
- Painéis de fachada e placas para pontes;
- Estruturas de contenção e perfis para tubulações;
- Protetores contra respingos para ônibus.
Além de reduzir as emissões de CO₂ ao substituir o vidro novo, a CRC já opera a reciclagem de pás da empresa sueca Vattenfall e de parques eólicos neerlandeses, como o de Zeewolde e o de Emmeerdijk, este último fechado em 2023. A planta da empresa em Rotterdam Botlek processa 3.000 toneladas anuais e planeja triplicar essa capacidade ainda este ano.
Infraestrutura portuária e projeções para 2050
O Porto de Róterdam prepara-se para ser o centro logístico dessa operação no Mar do Norte. Um estudo da SmartPort indica que o volume de desativação na região crescerá drasticamente a partir de 2030, com destaque para parques como Prinses Amaliawindpark e Egmond aan Zee. A estimativa é que a capacidade de energia eólica marinha a ser retirada suba de 20 megawatts, em 2020, para 3.700 megawatts em 2050.
Para viabilizar a desativação e a repotenciação do sistema, a Autoridade Portuária de Róterdam desenvolve em Maasvlakte uma macroterminal de 45 hectares, com 835 metros de cais, prevista para operar no início de 2029. O espaço será dedicado ao descarregamento, classificação e processamento de componentes, priorizando a reutilização de peças e a reciclagem de metais antes do envio de resíduos não reaproveitáveis para plantas especializadas.