Pane sistêmica imobiliza mais de 100 robotáxis da Baidu em Wuhan na China
Uma pane sistêmica imobilizou mais de 100 robotáxis da Apollo Go em Wuhan, na China, na noite de 1º de abril. O incidente causou retenções no trânsito e deixou passageiros retidos por até duas horas, sem registro de feridos. A Baidu e a polícia local não detalharam a causa da falha
Uma pane sistêmica imobilizou mais de 100 robotáxis da Apollo Go, braço de direção autônoma da Baidu, na noite de terça-feira, 1º de abril, em Wuhan, centro operacional da empresa na China. Os veículos pararam simultaneamente em faixas de circulação, provocando retenções no trânsito e deixando passageiros retidos em vias movimentadas. A polícia de Wuhan confirmou o incidente após receber diversos chamados sobre a impossibilidade de movimentação dos carros.
O episódio evidenciou falhas críticas no suporte ao usuário. Embora as telas internas dos veículos indicassem que a equipe de assistência chegaria em cinco minutos, o atendimento demorou significativamente. Uma passageira relatou ter conseguido contato telefônico apenas após 30 minutos de espera, enquanto outros usuários permaneceram presos nos carros por períodos que variaram de 90 minutos a quase duas horas. Em alguns casos, o tráfego intenso ao redor impediu que as pessoas abandonassem os veículos, mesmo com as portas destravadas.
A paralisação em massa gerou riscos à segurança viária, com registros de freadas bruscas e colisões causadas por motoristas que precisaram reagir repentinamente à presença dos carros imóveis. Apesar do caos urbano, não houve feridos.
A dimensão do problema contrasta com a escala de operação da Baidu, que possui mais de 1.000 robotáxis em Wuhan e soma 20 milhões de viagens realizadas pela Apollo Go. A companhia atravessa um momento de expansão global, com operações em Dubai e Abu Dhabi, além de negociações para entrar na Suíça e no Reino Unido e uma parceria com a Uber.
Até o momento, a Baidu e a polícia de Wuhan não detalharam a causa exata da pane nem o tempo de normalização da frota. Existe a hipótese de que os sistemas de autoverificação de segurança tenham paralisado os veículos preventivamente ao detectarem anomalias, mas a falta de transparência sobre o ocorrido impacta a tese de que a tecnologia é superior à condução humana.
O incidente não é um caso isolado no setor. Em agosto, um veículo da Apollo Go caiu em uma vala de obra em Chongqing e, em maio, um carro da concorrente Pony.ai pegou fogo em Pequim. Fora da China, a Waymo enfrentou um problema semelhante em dezembro de 2025, quando uma queda de energia imobilizou sua frota em San Francisco, exigindo atualizações de software.
O apagão em Wuhan amplia a pressão sobre todo o mercado de mobilidade autônoma na China, onde empresas como WeRide e Pony.ai também buscam expansão internacional. O evento reacendeu debates nas redes sociais chinesas sobre a confiabilidade e a supervisão desses serviços, demonstrando que a capacidade de resposta a falhas sistêmicas e a gestão de crises urbanas ainda são gargalos para a consolidação da tecnologia em larga escala.