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Papa Leão XIV pede fim de narrativas polarizantes ao iniciar visita oficial à Espanha

06 de Junho de 2026 às 15:12

O papa Leão XIV visita a Espanha para tratar da crise migratória, de abusos sexuais na Igreja e para discursar no Parlamento. A agenda inclui encontros com migrantes nas Ilhas Canárias, celebrações religiosas em Madri e reuniões com vítimas de agressões. O pontífice também pediu que líderes globais abandonem narrativas polarizantes

Papa Leão XIV pede fim de narrativas polarizantes ao iniciar visita oficial à Espanha
Yara Nardi/ Reuters

O papa Leão XIV iniciou sua visita à Espanha com um apelo aos líderes globais para que abandonem narrativas polarizantes e divisivas, frequentemente utilizadas para fragmentar eleitorados em busca de popularidade. O pontífice, que já teve divergências com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, devido ao seu posicionamento antibelicista, lamentou que a mensagem de paz seja interpretada atualmente como ingênua ou provocadora.

A agenda na Espanha prioriza a crise migratória europeia, tema central do debate público no continente. Nas Ilhas Canárias, principal rota de entrada de imigrantes irregulares no país, o papa se reunirá com migrantes ao lado do primeiro-ministro Pedro Sánchez e prestará homenagem às vítimas fatais da travessia para a Europa. O governo espanhol implementou recentemente um plano para regularizar a situação de 500 mil pessoas, majoritariamente latino-americanas, medida que gerou críticas do Partido Popular e da sigla de extrema direita Vox.

Ao chegar a Madri, Leão XIV destacou a fidelidade da Espanha ao direito internacional e seu compromisso com a paz, alinhando-se a Sánchez, que também enfrentou atritos com Trump ao condenar a guerra no Irã. A programação na capital inclui uma vigília de oração próxima ao estádio Santiago Bernabéu, com expectativa de 400 mil pessoas, e uma missa na praça de Cibeles, no domingo, para um milhão de fiéis. Na segunda-feira, o pontífice fará história ao ser o primeiro papa a discursar no Parlamento espanhol, seguindo depois para Barcelona e Ilhas Canárias.

Outro eixo fundamental da viagem é o enfrentamento aos abusos sexuais na Igreja Católica, descritos pelo papa como uma "ferida aberta". O pontífice tem encontros previstos com vítimas do problema. Durante a recepção no Palácio Real de Madri, o rei Felipe VI elogiou a firmeza do papa diante desses casos. O tema é crítico na Espanha, onde a Defensoria Pública estimou, em 2023, que mais de 200 mil menores possam ter sido agredidos por religiosos desde 1940. Em resposta, o governo de Sánchez e a Igreja assinaram, em março, um acordo para indenizar as vítimas.

Questionado sobre a diminuição do número de católicos, especialmente em território espanhol, Leão XIV afirmou estar satisfeito com o interesse dos jovens pela religião, embora reconheça que muitos prefiram a cultura pop, exemplificada pelo artista Bad Bunny, à figura do papa.

Em tom mais informal, o pontífice, que nasceu em um subúrbio de Chicago e atuou como bispo e missionário no Peru, declarou que apoiará a seleção dos Estados Unidos no torneio de futebol deste ano. Anteriormente, em 2025, ele havia manifestado preferência pelo Peru, mas a ausência da seleção peruana na competição abriu espaço para o apoio à equipe norte-americana.

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