Parceria desenvolve microreatores nucleares para eliminar o reabastecimento de combustível em navios comerciais
AMPERA e Scorpio Tankers desenvolveram nos Estados Unidos microreatores nucleares de tório para propulsão marítima, com potência entre 15 e 30 MWe. O projeto, que recebeu investimento de 10 milhões de dólares, prevê a implementação inicial em embarcações flutuantes e posterior integração em navios comerciais
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Uma parceria entre a AMPERA e a Scorpio Tankers desenvolveu nos Estados Unidos uma tecnologia de microreatores nucleares compactos projetada para eliminar a necessidade de reabastecimento de combustível em navios por décadas. O sistema visa substituir a dependência de combustíveis fósseis no transporte marítimo por uma operação autônoma e livre de emissões.
A base técnica do projeto consiste em reatores subcríticos em estado sólido, encapsulados para operar durante toda a sua vida útil. Diferente das usinas convencionais, o sistema utiliza o tório como combustível, o que dispensa o enriquecimento de urânio. A segurança é reforçada pelo uso de combustível triso, material com alta resistência estrutural e térmica. Para a geração de energia, o projeto substitui grandes volumes de água de refrigeração por turbinas movidas a dióxido de carbono supercrítico.
Esses microreatores possuem dimensões reduzidas para integração em embarcações comerciais e geram entre 15 e 30 MWe, potência suficiente para sustentar a propulsão e os sistemas auxiliares. Brian Matthews, CEO da AMPERA, afirma que a união entre a tecnologia da empresa e a liderança da Scorpio no setor cria a oportunidade de introduzir uma nova classe de energia na indústria.
A implementação ocorrerá em duas etapas. A fase inicial prevê o lançamento de embarcações nucleares flutuantes para fornecer energia em operações offshore e portos. Na sequência, a tecnologia será incorporada diretamente a navios comerciais.
Para viabilizar o modelo, a Scorpio Tankers investiu 10 milhões de dólares. Emanuele Lauro, presidente e CEO da companhia, argumenta que a energia nuclear pode redefinir a infraestrutura marítima ao oferecer uma alternativa estável. O acordo prevê a criação de novos modelos de negócio, incluindo contratos de serviço de longo prazo e fornecimento de energia sob demanda. O projeto se apoia no novo marco regulatório da Comissão Reguladora Nuclear dos EUA para se consolidar como ferramenta de descarbonização e eficiência operacional do setor.