Partido de extrema direita vence eleições estaduais na Saxônia-Anhalt com 44% dos votos
O partido AfD venceu as eleições estaduais da Saxônia-Anhalt com 44% dos votos e participação de 77%. A legenda é a força política mais popular da Alemanha, com 28% das intenções de voto nacionais. Outros partidos recusam coligações com a sigla, classificada como extremista pelo serviço de inteligência interna
O partido de extrema direita Alternativa para a Alemanha (AfD) conquistou a primeira colocação nas eleições estaduais da Saxônia-Anhalt, realizadas neste domingo (6). Com 44% dos votos, a legenda coloca-se em posição de assumir o poder em nível estadual pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial, embora não tenha atingido a maioria absoluta.
O resultado, registrado sob uma participação eleitoral de 77%, reflete a fragilidade da coalizão governista e a impopularidade do chanceler Friedrich Merz. De acordo com levantamento da emissora ARD, 87% dos eleitores do estado manifestaram insatisfação com a gestão federal.
Impacto político e cenário nacional
A vitória na Saxônia-Anhalt, estado com pouco mais de 2 milhões de habitantes e integrante da antiga Alemanha Oriental, consolida a ascensão da AfD, fundada em 2013. Atualmente, a legenda é a força política mais popular do país, detendo 28% das intenções de voto nacionais, superando os conservadores, que possuem 20%.
Para Ulrich Siegmund, candidato-líder da AfD na região, o triunfo é um passo estratégico para a conquista do poder nacional nas eleições federais de 2029. O cenário foi celebrado com manifestações em Magdeburg, onde apoiadores utilizaram a bandeira alemã para marcar a vitória. Internacionalmente, o resultado foi repercutido por líderes de direita europeus e pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que compartilhou os dados em sua rede social.
Agenda e propostas da AfD
A plataforma da AfD baseia-se em políticas de linha dura e no resgate de valores tradicionais. Entre as principais metas do partido estão:
- Imigração e Segurança: Implementação de restrições severas à imigração, criação de patrulhas cidadãs e a segregação de filhos de refugiados em salas de aula.
- Geopolítica e Economia: Restabelecimento de vínculos com a Rússia, interrupção do apoio financeiro e militar à Ucrânia e a saída da zona do euro.
- Educação e Cultura: Proibição de bandeiras arco-íris em escolas, obrigatoriedade do hino nacional e do hasteamento diário da bandeira alemã, além do aumento do ensino de língua russa.
- Infraestrutura: Suspensão da construção de novos parques eólicos e reformulação da radiodifusão pública.
Impasse para a formação do governo
Apesar da liderança nas urnas, a AfD enfrenta isolamento político. O serviço de inteligência interna da Alemanha classifica a legenda como extremista, o que levou os principais partidos a recusarem qualquer coligação.
A única exceção é a Aliança de Sahra Wagenknecht (BSW), que sugeriu a nomeação de um primeiro-ministro apartidário para governar a Saxônia-Anhalt com maiorias variáveis. No entanto, Ulrich Siegmund rejeitou a proposta, afirmando que não aceitará acordos que limitem a agenda de mudanças do partido, sugerindo a convocação de novas eleições caso não haja consenso.
Enquanto isso, os conservadores de Friedrich Merz buscam alternativas de negociação com outras siglas, mesmo que isso exija a união de agendas divergentes. Merz, que enfrenta queda em sua aprovação pessoal e críticas ao seu estilo de comunicação, alertou que a ascensão da extrema direita pode afastar investimentos estrangeiros da região.