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Pensilvânia registra o surto de sarampo com a maior taxa de mortalidade desde 1992

26 de Setembro de 2026 às 15:00 3 min de leitura

A Pensilvânia registra quatro mortes por sarampo desde abril, a maior taxa de mortalidade nos Estados Unidos desde 1992, com foco em comunidades Amish. Autoridades de saúde aplicaram quase 4.300 doses de vacina em Lancaster e realizaram ações domiciliares no condado de Chester. Apenas 25% dos residentes de Lancaster estão imunizados

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Pensilvânia registra o surto de sarampo com a maior taxa de mortalidade desde 1992
GETTY IMAGES via BBC

A Pensilvânia enfrenta o surto de sarampo mais letal de sua história recente, com quatro mortes registradas desde o final de abril. O cenário, que representa a maior taxa de mortalidade por essa doença nos Estados Unidos desde 1992, concentra-se em áreas rurais onde vivem comunidades Amish, conhecidas por evitarem a tecnologia e o contato regular com a medicina ocidental.

Entre as vítimas fatais estão dois recém-nascidos, uma jovem de 18 anos e uma mulher de 40 anos. No caso de um dos bebês, o legista do condado de Lancaster, Stephen Diamantoni, apontou que a causa imediata foi a ruptura do baço, condição que pode ser desencadeada pelo aumento do órgão provocado pela infecção por sarampo.

Estratégias de imunização em áreas isoladas

Para conter a propagação do vírus, as autoridades de saúde adotaram táticas de proximidade, semelhantes às utilizadas durante a pandemia de covid-19. No condado de Chester, a diretora de saúde Jeanne Franklin coordenou ações de "porta em porta" para informar a população e oferecer a vacinação em locais privados. Desse total, 340 das 538 doses aplicadas no condado ocorreram em residências.

No epicentro do surto, em Lancaster, o departamento estadual de saúde administrou quase 4.300 doses da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola em clínicas temporárias. A operação conta com profissionais como a supervisora clínica Dale Weiser, que realiza visitas domiciliares para vacinar famílias em suas próprias cozinhas, buscando construir confiança com membros da comunidade que, muitas vezes, não se vacinaram por falta de conveniência ou acesso ao sistema médico.

A vulnerabilidade da região é acentuada pelo perfil social dos Amish. Dos aproximadamente 90 mil membros da comunidade na Pensilvânia, estima-se que apenas 25% dos residentes de Lancaster estejam imunizados. O epidemiologista genético Braxton Mitchell, da Universidade de Maryland, explica que a natureza sociável do grupo facilita a disseminação do vírus entre os não vacinados.

Desinformação e embates políticos

A crise sanitária reacendeu tensões políticas no governo federal. O secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., expressou ceticismo sobre as vacinas e chegou a contestar publicamente a causa de morte de um dos bebês. O governador Josh Shapiro criticou a postura de Kennedy, afirmando que a disseminação de informações errôneas agrava a situação do estado.

Além disso, uma ordem executiva do governo Trump recomendou que a vacina contra o sarampo fosse dividida em três doses separadas. A medida é vista por médicos como desnecessária e dispendiosa, servindo apenas para gerar dúvidas sobre a segurança da fórmula combinada atual.

Mesmo em comunidades isoladas, a desinformação digital chegou aos residentes. Profissionais de saúde relataram que alguns pais questionaram a presença de chips de computador ou metais pesados nas doses, temendo que a vacina pudesse torná-los magnéticos.

As autoridades de saúde agora monitoram com preocupação o início do ano letivo, período que pode ampliar a circulação do vírus devido ao aumento da interação social entre estudantes.

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