Pentágono testa coordenação entre satélite e robôs terrestres para missões de combate autônomo
O Pentágono testou, em 15 de outubro, a coordenação entre um satélite e robôs terrestres da Overland AI para busca e ataque em Kentucky. A operação da DARPA utilizou veículos autônomos e drones da Anduril, mantendo a decisão de disparo sob controle humano. O sistema integra a estratégia de defesa dos EUA para o flanco leste europeu
:format(jpg)/f.elconfidencial.com%2Foriginal%2Fcd8%2F96c%2F4fb%2Fcd896c4fbcd77708cfef66f7abff0a7c.jpg)
O Pentágono realizou, em 15 de outubro, um teste inédito de combate autônomo no campo de tiro de Fort Knox, em Kentucky, nos Estados Unidos. A operação, coordenada pela DARPA (Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa), integrou pela primeira vez a coordenação entre um satélite e uma matilha de robôs terrestres para a execução completa de uma missão de busca, rastreamento e ataque.
Operação e Tecnologia de Campo
A missão foi iniciada no espaço, onde um operador identificou uma ameaça via satélite e designou a unidade robótica para a ação. Quatro veículos da empresa Overland AI, equipados com o software RACER, navegaram autonomamente pelo terreno. O programa, desenvolvido ao longo de cinco anos pela DARPA, permite que os veículos se desloquem em alta velocidade por qualquer superfície, com a meta de igualar a agilidade de um motorista humano.
Durante a incursão, os robôs utilizaram sensores próprios para interpretar a geografia do local e se coordenar sem a necessidade de intervenção humana para a movimentação. O Exército americano relatou que, ao detectar um alvo, um dos robôs estacionou enquanto outros dois avançaram para fornecer proteção. Com a posição estabelecida, um míssil simulado atingiu o objetivo a aproximadamente 275 metros de distância.
Integração de Drones e Controle Humano
Três das quatro unidades terrestres transportavam drones no teto, fabricados pela empresa Anduril. Esses dispositivos são projetados tanto para o reconhecimento detalhado do terreno quanto para ataques suicidas. No cenário testado, o robô poderia ter lançado o drone para observar a posição do inimigo ou eliminá-lo.
Apesar da autonomia total na locomoção e detecção, a letalidade permanece sob supervisão. Jason Gregory, assessor técnico da agência, confirmou que a mobilidade e a identificação de alvos são autônomas, mas o disparo depende obrigatoriamente da aprovação de um operador humano, que monitora as imagens enviadas pelos robôs em tempo real.
Estratégia de Defesa Global
O teste foi solicitado pelo Comando Europeu dos EUA, que utilizou o terreno de Fort Knox por considerá-lo representativo do cenário europeu. O objetivo é implantar essas unidades à frente da infantaria para detectar ameaças precocemente, permitindo que os soldados decidam a melhor resposta tática.
Essa tecnologia integra a Iniciativa de Dissuasão do Flanco Leste, estratégia dos Estados Unidos e aliados para conter uma eventual invasão russa. O plano prevê que sensores, drones e robôs formem a primeira linha de defesa contra ofensivas de Vladimir Putin. Além do combate, a DARPA indica que a produção em larga escala do sistema permitiria a vigilância de fronteiras e a defesa autônoma de territórios.
Novos testes estão programados para dezembro, ocasião em que a agência consultará soldados sobre a melhor forma de implantar esses veículos em campo.