Portugal implementará estação de dessalinização no Algarve para diversificar o abastecimento de água potável
Portugal construirá no Algarve uma estação de dessalinização com investimento de 107,9 milhões de euros e previsão de operação para 2028. A unidade terá capacidade inicial de 43,2 milhões de litros de água potável por dia. O projeto visa diversificar o abastecimento público da região

Portugal implementará uma estação de dessalinização de água do mar no Algarve para diversificar as fontes de abastecimento público e reduzir a dependência de aquíferos e barragens. A medida responde ao cenário de vulnerabilidade hídrica no sul do país, agravado por secas prolongadas, irregularidade das chuvas e a alta demanda de consumo durante as temporadas turísticas.
Com investimento estimado em 107,9 milhões de euros e financiamento via Plano de Recuperação e Resiliência, a obra é coordenada pela Águas do Algarve e representa uma das maiores intervenções hídricas recentes em território português. A estrutura terá capacidade inicial de produção de 43,2 milhões de litros de água potável por dia, o que equivale a 500 litros por segundo ou 16 milhões de metros cúbicos anuais. O projeto prevê, ainda, a possibilidade de expansão futura para 750 litros por segundo, elevando a produção diária para 64,8 mil metros cúbicos e o volume anual para 24 milhões de metros cúbicos.
A operação técnica terá início com a captação de água bruta do Atlântico por meio de duas estruturas submersas com grelhas de proteção, localizadas a cerca de 2 km da costa. Esse material será transportado por condutas submarinas até a unidade de tratamento em terra, onde ocorrerá a remoção de sais e demais componentes impróprios para o consumo humano antes da integração à rede de distribuição pública. O sistema também inclui um emissário marítimo para o descarte controlado da salmoura, subproduto do processo de dessalinização, em área licenciada.
Grande parte da infraestrutura, incluindo sistemas de bombeamento e transporte, ficará enterrada ou submersa. Durante a fase de licenciamento, a instalação dessas estruturas no espaço marítimo nacional foi submetida a consulta pública. A operação em plena capacidade da planta dependerá de avaliação da Agência Portuguesa do Ambiente, que tratará a capacidade máxima como um recurso estratégico para períodos de escassez severa.
Previsto para entrar em funcionamento em 2028, o empreendimento enfrenta resistências de setores ligados à gestão territorial, ao meio ambiente e à pesca. Para monitorar a execução e os impactos da obra, o governo português estabeleceu um grupo de acompanhamento composto por universidades, municípios, organizações ambientais, pescadores e entidades públicas.