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Portugal investe 14,9 milhões de euros para repor areia em praias do Algarve contra erosão

04 de Maio de 2026 às 06:08

A Agência Portuguesa do Ambiente coordena a deposição de 1,4 milhão de metros cúbicos de areia em 6,7 quilômetros de praias entre Quarteira e Garrão, em Loulé. A obra de 14,9 milhões de euros visa ampliar a largura do areal para combater a erosão costeira

Portugal implementa uma operação de reposição artificial de areia no litoral do Algarve para combater a erosão costeira em um trecho vulnerável da costa sul. A intervenção, coordenada pela Agência Portuguesa do Ambiente (APA), abrange aproximadamente 6,7 quilômetros de praias entre Quarteira e Garrão, no município de Loulé, e prevê a movimentação de 1,4 milhão de metros cúbicos de sedimentos.

A estratégia, denominada alimentação artificial de praias, consiste na extração de areia de áreas submarinas específicas para posterior deposição na faixa costeira. O processo utiliza tubulações instaladas no mar, cuja montagem ocorreu entre os dias 2 e 3 de abril, permitindo que o material fosse lançado nas praias a partir do dia seguinte. O objetivo é ampliar a largura do areal em média entre 37 e 37,5 metros, criando uma barreira de proteção contra a força das ondas e estabilizando a frente marítima.

O projeto integra o Plano de Ordenamento da Orla Costeira Vilamoura–Vila Real de Santo António e visa reforçar a segurança de residentes e turistas, além de mitigar os riscos em áreas próximas a arribas. A operação foi dividida em etapas sucessivas, contemplando as localidades de Trafal, Vale do Lobo, Garrão, Forte Novo e Quarteira, com a meta de concluir os trabalhos antes do início da temporada de banhos. Devido à possibilidade de existirem vestígios arqueológicos ou bens submersos, a APA realizou o cronograma em articulação com o Património Cultural, I.P.

A necessidade de intervenção decorre de um processo contínuo de perda de sedimentos no Algarve, impulsionado por correntes marítimas, temporais e a ocupação humana da faixa costeira. O trecho entre Quarteira e Garrão já passou por procedimentos semelhantes em 1998/1999, 2006 e 2010. Relatórios técnicos de operações anteriores, como a de 2010, indicam que parte do material depositado desaparece com o tempo, evidenciando que a reposição artificial é uma medida de manutenção e adaptação, e não uma solução definitiva, já que a dinâmica natural do mar redistribui a areia.

O investimento na obra é de 14,9 milhões de euros, com a execução a cargo da empresa Dravosa S.A., selecionada via concurso público internacional lançado em 3 de setembro de 2025. O Ministério do Ambiente e Energia confirmou que o projeto foi precedido por Estudo de Impacte Ambiental e a respectiva Declaração de Impacte Ambiental. Para avaliar a eficácia da medida e a resposta da linha de costa ao reforço, a região será submetida a monitoramento técnico.

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