Presença da rata almizclera na Espanha gera riscos ambientais e à saúde pública
A rata almizclera, roedor da América do Norte, foi confirmada em Navarra, Espanha, desde 2008. A espécie causa erosão em margens de rios, reduz recursos de fauna e flora nativas e transmite a leptospirose
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A presença da rata almizclera (Ondatra zibethicus), um roedor aquático originário da América do Norte, tornou-se um ponto de atenção para a biodiversidade e a saúde pública na Europa, com registros confirmados na Espanha. Introduzida no século XX para suprir a demanda da indústria de peles, a espécie estabeleceu populações selvagens após fugas ou liberações deliberadas.
Em território espanhol, a presença do animal foi formalmente confirmada em Navarra no ano de 2008, embora evidências indiquem que a colonização da região tenha ocorrido anteriormente.
Impactos ambientais e características da espécie
O animal, que pode medir até 70 cm e pesar 2 kg, possui adaptações físicas para a vida aquática, como patas traseiras palmadas, pelagem densa e uma cauda escamosa e achatada. A rápida expansão da espécie é impulsionada por uma alta taxa de reprodução, com fêmeas capazes de ter até 15 filhotes por ninhada, organizados em grupos familiares.
A atuação da Ondatra zibethicus nos ecossistemas provoca danos estruturais e biológicos:
- Degradação de margens: A escavação de tocas nas beiras de rios e áreas úmidas acelera a erosão, podendo causar deslizamentos e comprometer infraestruturas hídricas.
- Desequilíbrio da fauna e flora: A dieta do roedor, composta por vegetação aquática, pequenos peixes, caranguejos e sapos, reduz os recursos disponíveis para as espécies nativas.
Riscos à saúde pública
Além da ameaça ecológica, a rata almizclera é um vetor de patógenos perigosos. O animal pode transmitir bactérias do gênero Leptospira, agentes causadores da leptospirose em seres humanos. A contaminação ocorre via água, terra ou alimentos, manifestando-se inicialmente por febre, náuseas e cefaleia. Em quadros graves, a doença pode evoluir para meningite, hemorragias, insuficiência renal ou a doença de Weil, que é fatal sem tratamento imediato.
Na França, a espécie também foi associada ao parasita Echinococcus, responsável pela equinococose alveolar, enfermidade que ataca o fígado. Esses fatores, somados à capacidade de proliferação do roedor, elevam a classificação da espécie como uma ameaça crítica aos ecossistemas fluviais e à saúde humana.