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Procurador federal de Seattle contesta na Justiça exoneração ocorrida logo após sua posse no cargo

26 de Julho de 2026 às 21:07

Roger Rogoff acionou a Justiça na terça-feira (22) para contestar sua exoneração como procurador federal de Seattle. O nomeado pelos juízes do Distrito Oeste de Washington busca anular a demissão ocorrida logo após sua posse. O Departamento de Justiça defende a legalidade do ato com base na autoridade presidencial

Procurador federal de Seattle contesta na Justiça exoneração ocorrida logo após sua posse no cargo
AP/Ted S. Warren, Arquivo

Roger Rogoff, nomeado como procurador federal de Seattle, acionou a Justiça na última terça-feira (22) para contestar sua exoneração. O desligamento ocorreu menos de uma hora após ele ter tomado posse no cargo, instaurando um embate jurídico sobre a autoridade do governo de Donald Trump na gestão de cargos do Departamento de Justiça.

A ação judicial argumenta que a demissão foi inconstitucional e ignorou a prerrogativa dos juízes do Distrito Oeste de Washington, que selecionaram Rogoff para atuar na função até que um indicado pelo presidente fosse confirmado pelo Senado. O pedido busca anular a decisão, classificando-a como ilegal, para que o procurador retome suas atividades, ainda que temporariamente.

Regras de nomeação e a disputa institucional

A estrutura de comando dos escritórios regionais do Departamento de Justiça prevê que os procuradores sejam indicados pelo presidente e ratificados pelo Senado. Na ausência de um titular, o procurador-geral pode nomear um interino por até 120 dias. Caso esse prazo expire sem a confirmação de um indicado presidencial, a competência para a nomeação temporária passa aos juízes federais do distrito.

No Distrito Oeste de Washington, a vaga estava aberta desde 2023. Rogoff foi escolhido por unanimidade pelos magistrados locais após o término do mandato de 120 dias de Charles Neil Floyd, que havia sido nomeado interinamente pela então procuradora-geral Pam Bondi.

Contudo, a administração Trump tem adotado a estratégia de substituir procuradores nomeados por tribunais ou manter ocupantes não confirmados por períodos prolongados.

Conflitos entre o Executivo e o Judiciário

Antes mesmo da escolha de Rogoff, o procurador-geral interino, Todd Blanche, sinalizou a intenção de demitir qualquer profissional nomeado por juízes. Através da rede social X, Blanche afirmou que candidatos sem o apoio do presidente teriam o mesmo destino de outros casos em que, na visão do governo, os juízes ignoraram o Artigo II da Constituição.

Após a demissão de Rogoff, Blanche reiterou que os magistrados de Washington abandonaram o processo de consulta ao governo para assegurar a qualificação do escolhido para a administração. Em nota oficial, o Departamento de Justiça defendeu a legalidade do ato, alegando que a seleção não foi coordenada com o órgão e que a decisão está amparada na autoridade presidencial.

Precedentes e repercussões

O caso de Seattle soma-se a outros conflitos semelhantes em diferentes estados:

  • Nova Jersey: Alina Habba, ex-advogada de Trump, deixou o cargo em dezembro após a Justiça de apelações considerar sua atuação ilegal.
  • Virgínia: Lindsey Halligan, também ligada ao presidente, foi afastada da função de procuradora federal interina por irregularidade na nomeação. Na ocasião, o magistrado determinou a rejeição de acusações movidas por Halligan contra James Comey, ex-diretor do FBI, e Letitia James, procuradora-geral de Nova York.

O desfecho do processo movido por Rogoff deve estabelecer um precedente jurídico sobre os limites do poder do Executivo frente às nomeações realizadas pelo Judiciário para cargos de procuradores federais.

Com informações de G1

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