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Proibição de estudos para meninas no Afeganistão impulsiona casamentos precoces e forçados

26 de Maio de 2026 às 06:14

A proibição do ensino médio e universitário para meninas no Afeganistão, mantida pelo governo do Talibã, impulsiona casamentos precoces e forçados. A ONU estima que mais de dois milhões de estudantes percam a educação pós-primária até 2030

Proibição de estudos para meninas no Afeganistão impulsiona casamentos precoces e forçados
BBC

A proibição do ensino médio e universitário para meninas no Afeganistão, mantida pelo governo do Talibã há quase cinco anos, tem empurrado milhões de jovens para casamentos precoces e forçados. Com o bloqueio sistemático às carreiras profissionais, a educação formal tornou-se inacessível para estudantes com mais de 12 anos, restando apenas opções limitadas, como madrassas religiosas ou cursos particulares de curta duração para quem possui recursos financeiros.

A precariedade do sistema educacional reflete-se em casos como o de Alia, de 19 anos. Para evitar um casamento, a jovem viajou centenas de quilômetros de sua aldeia até Cabul, acompanhada de uma prima. A jornada, realizada em um táxi, representou um risco elevado, já que as normas vigentes proíbem que mulheres percorram longas distâncias sem a companhia de um parente do sexo masculino. Em Cabul, Alia matriculou-se em um curso de inglês, alternativa que, embora financiada por sua família, não substitui a formação acadêmica.

A pressão social e a falta de perspectivas escolares forçam muitas famílias a aceitar uniões matrimoniais como medida de proteção. Shama, que aos 18 anos foi pressionada pela mãe a se casar, é mãe de duas crianças e relata a sensação de estagnação por não ter alcançado seu potencial. Sua mãe, Kamila, justificou a decisão pelo medo de que a filha solteira atraísse questionamentos e represálias dos inspetores do Talibã.

As Nações Unidas alertam que, caso a proibição persista até 2030, mais de dois milhões de meninas serão privadas de educação além do nível primário, agravando a situação de um país que já possui uma das menores taxas de alfabetização feminina do mundo. O cenário é complexo, pois três em cada quatro afegãos não conseguem suprir necessidades básicas, tornando a educação privada um privilégio raro.

Desde a retomada do poder em 2021, o governo do Talibã tem alternado as justificativas para a manutenção do fechamento das escolas. Inicialmente, alegou-se a necessidade de melhorar a segurança; posteriormente, citou-se a preocupação de estudiosos religiosos com o trajeto das estudantes. Atualmente, a liderança evita dar prazos para a reabertura, limitando-se a informar que cerca de cinco milhões de meninas estudam em níveis básicos, enquanto o Ministério da Educação ignora questionamentos sobre o ensino superior.

Embora o governo afirme ter emitido licenças para mulheres administrarem negócios e ter intervindo em casos de herança e casamentos forçados, a legislação caminha no sentido oposto. Recentemente, foram transformadas em lei regras que permitem a aprovação legal do casamento infantil, interpretando o silêncio de menores como consentimento. Esse conjunto de restrições tem resultado na ausência quase total de mulheres da vida pública e em um sentimento generalizado de abandono global entre a população feminina afegã.

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