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Proposta do governo Trump prevê corte de 23% no financiamento total da NASA para 2027

09 de Abril de 2026 às 09:11

A missão Artemis II, com quatro astronautas, prevê a colocação da nave Orion em órbita terrestre neste sábado, 11 de abril. A operação realiza análises da face oculta da Lua e testes de saúde humana, enquanto a administração Trump propõe um corte de 23% no orçamento da NASA para 2027

Proposta do governo Trump prevê corte de 23% no financiamento total da NASA para 2027
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A missão Artemis II, composta pelos astronautas Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Koch e Jeremy Hansen, entrou em fase final de preparativos para colocar a nave Orion em órbita terrestre, operação prevista para a madrugada de sábado, 11 de abril. Enquanto a tripulação monitora a trajetória e testa sistemas, a missão ocorre sob a sombra de uma proposta orçamentária da administração Trump para 2027, que prevê um corte de 23% no financiamento total da NASA.

O plano financeiro do governo americano projeta a redução de 47% nos programas científicos, o que representa uma perda de 3,4 bilhões de dólares em pesquisas e 297 milhões de dólares em projetos tecnológicos, sob a justificativa de eliminar gastos supérfluos. Embora o orçamento mantenha o suporte aos voos tripulados e à base lunar permanente, a organização The Planetary Society alertou que a redução da base científica pode comprometer a viabilidade das missões humanas. Esse cenário gerou tensão durante conversa entre Donald Trump e a tripulação após a passagem da Orion pela Lua, momento em que o presidente afirmou ter "salvado" a agência espacial.

Apesar das pressões fiscais, a Artemis II executa experimentos inovadores. A tripulação, que já superou o recorde de distância alcançada por seres humanos, realiza a análise visual da face oculta da Lua. Segundo o astronauta Jeremy Hansen, a observação humana permite identificar detalhes, como a ausência de crateras profundas e mares em certas áreas, que escapam aos satélites. Gordon 'Oz' Osinski, professor da Western University e membro da equipe da Artemis III, afirma que esses registros fotográficos de mudanças na superfície e possíveis novos impactos de meteoritos são essenciais para treinar futuros astronautas e compreender a geologia lunar, etapa fundamental para a colonização da Lua e futuras viagens a Marte.

A estrutura operacional da missão também apresenta novidades em relação ao programa Apolo. A NASA introduziu os oficiais científicos — cargo ocupado por Kelsey Young, Trevor Graff e Angela García —, responsáveis por coordenar os objetivos de geologia e ciência lunar. Além disso, a missão utilizou a Sala de Avaliação Científica (SER) do Centro Espacial Johnson para otimizar a eficiência dos processos de pesquisa.

Um dos focos centrais é a saúde humana no espaço profundo, especialmente os riscos da radiação espacial, que pode alterar funções celulares e danificar o DNA, podendo causar desde doenças imediatas até câncer a longo prazo. Para estudar esse fenômeno, a missão utiliza o projeto AVATAR, que compara modelos de medula óssea dos astronautas armazenados em microchips (sistemas microfisiológicos) a bordo da Orion com amostras idênticas mantidas na Terra. No oitavo dia de missão, a tripulação simulou a construção de um abrigo contra erupções solares.

Outros protocolos de saúde incluem a análise de biomarcadores imunológicos através de amostras de saliva para verificar a adaptação ao ambiente hostil e a possível reativação de vírus inativos. A tripulação também testou vestimentas para prevenir a hipotensão ortostática, visando manter a pressão arterial durante o retorno à gravidade terrestre, além de monitorar padrões de sono, estresse e cognição.

Tecnicamente, a missão serve como validação de engenharia moderna. Um ponto crítico é o escudo térmico, que apresentou falhas na Artemis I e é vital para a reentrada segura de Wiseman, Glover, Koch e Hansen. Ignasi Ribas Canudas, pesquisador do Instituto de Ciências do Espaço do CSIC, ressalta que refazer a exploração lunar com a tecnologia atual é um esforço necessário para desenvolver a ciência e a engenharia exigidas em viagens mais longas, como a rumo ao planeta vermelho.

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