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Quase metade dos jovens na Argentina vive em situação de vulnerabilidade social, aponta estudo da UBA

28 de Julho de 2026 às 18:32

Estudo da Universidade de Buenos Aires indica que 4,1 milhões de jovens argentinos vivem em vulnerabilidade social, combinando pobreza e baixa escolaridade. A pesquisa aponta que 76% dos empregados atuam na informalidade e 32% da população nessa faixa etária não estuda, não trabalha nem busca emprego

Quase metade dos jovens na Argentina vive em situação de vulnerabilidade social, aponta estudo da UBA
© TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL

Cerca de 4,1 milhões de jovens na Argentina, o que representa 48,9% dessa população, vivem em situação de vulnerabilidade social. O dado é resultado de um estudo da Universidade de Buenos Aires (UBA), intitulado “Jovens Vulneráveis na Argentina: Condições de Vida, Crenças e Expectativas sobre o Futuro”, baseado em entrevistas realizadas com 1.002 pessoas entre 18 e 29 anos, de dezembro de 2025 a janeiro de 2026.

Para a pesquisa, a vulnerabilidade é caracterizada pela combinação de pobreza econômica e a baixa escolaridade, definida por aqueles que não concluíram os estudos básicos ou possuem, no máximo, o ensino fundamental.

Mercado de trabalho e educação

A precariedade financeira reflete-se diretamente na inserção profissional. Entre os jovens que estão empregados, apenas 15% possuem carteira assinada, enquanto 76% atuam em trabalhos informais ou por conta própria. As atividades predominantes são de baixa qualificação, como construção civil, comércio, limpeza, cuidados com idosos e vendas online ou ambulantes.

O cenário educacional e laboral apresenta as seguintes características:

  • 32% da população jovem não estuda, não trabalha e não procura emprego.
  • 56,1% dos que trabalham abandonaram os estudos.
  • A taxa de emprego é superior entre homens e apresenta maior concentração na Região Metropolitana de Buenos Aires (AMBA) do que nas demais áreas do país.

Saúde e segurança pública

A carência de assistência básica é evidente, com 78% dos jovens dependendo exclusivamente de serviços públicos de saúde, por não possuírem plano privado. No quesito segurança, 40% dos entrevistados relatam residir em bairros classificados como inseguros ou muito inseguros.

O impacto social manifesta-se também no cotidiano através de moradias precárias, famílias numerosas e a incapacidade de arcar com as despesas mensais.

Saúde mental e consumo de substâncias

O quadro de vulnerabilidade multidimensional afeta severamente o bem-estar psicológico. Mais de 70% dos jovens relatam problemas frequentes de ansiedade ou nervos, e mais de 50% sofrem com apatia ou depressão.

Somado ao sofrimento psíquico, cerca de 30% dos participantes admitem a falta de controle no consumo de drogas, cigarro ou álcool.

Consumo de informação

As redes sociais são a principal fonte de notícias para 66% dos jovens. O Instagram lidera a preferência (36%), seguido pelo Facebook (22%), enquanto a televisão aparece em terceiro lugar, com 18%.

O estudo observa que jovens com maior nível de escolaridade tendem a diversificar as fontes digitais e concentrar-se no Instagram, ao passo que aqueles com menor instrução mantêm o Facebook e a TV como canais relevantes de informação.

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