Queda no número de casamentos entre jovens preocupa governo da China por crise demográfica
A China enfrenta queda nos casamentos entre jovens, agravando a crise demográfica e a redução da força de trabalho. O cenário é impulsionado pela maior autonomia financeira feminina e desequilíbrios populacionais decorrentes da antiga *política do filho único
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A redução drástica no número de casamentos entre jovens tornou-se um ponto central de preocupação para o governo da China. O declínio na formação de novas famílias é visto por Pequim como um agravante da crise demográfica, que combina o envelhecimento acelerado da população com a queda nas taxas de natalidade, ameaçando a sustentabilidade da economia chinesa nas próximas décadas.
A gravidade do cenário é evidenciada por projeções que indicam que, até 2035, a China poderá registrar uma perda populacional equivalente ao total de habitantes da França. Esse fenômeno impacta diretamente a força de trabalho e amplia a pressão sobre o sistema de aposentadorias do país.
Mudança de prioridades geracionais
A resistência ao matrimônio é especialmente forte entre as mulheres nascidas após 1990, grupo no qual 70% não consideram o casamento como prioridade. Entre os homens da mesma faixa etária, 32% compartilham a visão de que a união conjugal deixou de ser o objetivo principal de seus planos.
Essa transformação é impulsionada pela maior autonomia financeira e inserção das mulheres no mercado de trabalho, o que torna a dependência masculina obsoleta. Para a geração nascida após os anos 2000, critérios como afinidade e compatibilidade emocional superam a importância do patrimônio ou da estabilidade financeira. Como resultado, cresce o número de mulheres que optam pela solteirice diante da ausência de parceiros com quem possuam real identificação.
Desequilíbrios estruturais e pressões sociais
O cenário atual é reflexo de decisões políticas passadas, como a política do filho único, vigente entre 1980 e 2015. A medida resultou em um desequilíbrio demográfico severo, provocado por abortos seletivos de meninas e entregas para adoção, gerando um déficit de milhões de mulheres em idade reprodutiva. Atualmente, há significativamente mais homens do que mulheres disponíveis no mercado matrimonial.
Nesse contexto, tradições como o mercado de casamentos de Xangai — onde pais expõem currículos dos filhos solteiros — ainda persistem, embora percam força diante da valorização da independência individual.
Para tentar reverter a tendência, o governo chinês utiliza termos como "mulheres deixadas para trás" para classificar solteiras com mais de 27 anos, tentando estimular a formação de famílias. No entanto, a estratégia é vista por muitas jovens como uma pressão social anacrônica, que ignora a busca contemporânea por carreira, liberdade e qualidade de vida.