República Democrática do Congo registra 452 casos de ebola com a variante Bundibugyo
A República Democrática do Congo registrou 452 casos de ebola e 82 mortes, com a propagação da variante Bundibugyo atingindo três províncias e Uganda. A OMS e o Africa CDC planejam investir US$ 518 milhões no combate ao surto, enquanto a Moderna e a Cepi desenvolvem uma vacina específica
A República Democrática do Congo registrou 452 casos confirmados de ebola, com 82 mortes, após a detecção de 71 novos pacientes em apenas 24 horas. O surto, declarado oficialmente em 15 de maio no nordeste do país, é causado pela variante Bundibugyo, que as autoridades sanitárias acreditam ter circulado sem detecção por um período anterior ao anúncio. A propagação já atingiu três províncias congolesas, concentrando-se em Ituri, local de 90% dos casos e 76% dos óbitos. A doença também chegou a Uganda, onde houve 16 confirmações e uma morte. O volume de infectados nesta epidemia já é superior aos surtos da mesma variante ocorridos em 2007 e 2012.
Para enfrentar a crise entre junho e novembro, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças da África (Africa CDC) estabeleceram um plano conjunto de US$ 518 milhões. O investimento será destinado à vigilância, coordenação de emergência, testes laboratoriais, assistência clínica, controle de infecções e mobilização comunitária.
A resposta sanitária enfrenta a barreira da inexistência de uma vacina aprovada especificamente para a cepa Bundibugyo. Como alternativa, os governos do Congo e de Uganda analisam o uso emergencial da vacina Ervebo, da Merck, que é aprovada para a variante Zaire e demonstrou proteção cruzada em testes com animais. Paralelamente, a Gavi mantém 2 mil doses de vacinas contra ebola no Congo para eventuais campanhas ou testes. No campo do desenvolvimento tecnológico, a farmacêutica Moderna e a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias (Cepi) firmaram parceria para criar uma vacina contra a variante Bundibugyo, com aporte inicial de até US$ 50 milhões da Cepi. A BioFire Defense, subsidiária da bioMérieux, também ampliou a produção de testes capazes de identificar diversas variantes do vírus, incluindo a atual.
O combate à epidemia é dificultado pela escassez de recursos. O Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) indica que apenas 34% dos US$ 1,4 bilhão solicitados para ações humanitárias no Congo este ano foram arrecadados. A OMS atribui a queda no financiamento global para a saúde a fatores como os cortes em programas internacionais do governo de Donald Trump e a saída dos Estados Unidos da organização em janeiro.
Apesar do crescimento dos casos confirmados, a OMS reportou uma redução no número de suspeitos monitorados na África Central, visto que centenas de notificações foram descartadas após diagnósticos de outras doenças ou quadros febris não relacionados ao ebola.