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República Democrática do Congo registra o surto de ebola mais acelerado de sua história

11 de Agosto de 2026 às 09:01

A República Democrática do Congo registra 4.381 casos e 2.011 mortes de ebola causadas pelo vírus bundibugyo, sem vacina ou tratamento aprovado. O surto, com letalidade de 45,9%, é o maior da história do país e concentra-se na província de Ituri. A OMS afirma que a transmissão está fora de controle

A República Democrática do Congo enfrenta o surto de ebola mais acelerado de sua história, com a confirmação de 2.011 mortes e 4.381 casos da doença. Dados governamentais divulgados nesta terça-feira (11) revelam que a crise sanitária apresenta uma progressão alarmante: enquanto a primeira milhar de óbitos levou nove semanas para ser atingida, o número dobrou em apenas três semanas, superando a capacidade de rastreamento e controle das autoridades.

Atualmente, 704 pacientes permanecem em isolamento. Embora a declaração oficial do surto tenha ocorrido em 15 de maio, sequenciamentos indicam que a propagação do vírus começou em fevereiro. Este é o 17º episódio da doença no país e o maior já registrado na nação da África Central desde a identificação do vírus, em 1976.

Desafios no combate ao vírus Bundibugyo

A gravidade do cenário atual é intensificada pelo fato de o surto ser causado pelo raro vírus bundibugyo, para o qual não existem vacinas ou tratamentos aprovados. Para tentar reverter a situação, ensaios clínicos estão sendo realizados na província de Ituri, no leste do Congo, região considerada o epicentro da crise.

A letalidade deste surto é de 45,9%, índice superior aos 39,6% registrados na epidemia de 2014 a 2016 na África Ocidental — o segundo maior surto da história, que somou mais de 28 mil casos e 11 mil mortes. A maior taxa de mortalidade atual é atribuída à demora na chegada de suporte e cuidados aos pacientes, muitos dos quais não apresentam sintomas ou relatam a condição tardiamente.

Barreiras logísticas e operacionais

A resposta sanitária, que tenta se expandir pelas cinco províncias afetadas no leste do país, enfrenta obstáculos críticos:

  • Conflitos armados: Embates com rebeldes dificultam o acesso a áreas remotas.
  • Infraestrutura: Más condições das estradas prejudicam a logística de ajuda.
  • Crise trabalhista: Profissionais de saúde entraram em greve devido à falta de pagamento desde o início do surto.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a transmissão permanece fora de controle, já que a maioria dos novos casos surge fora dos grupos de contatos monitorados. No início da crise, a vulnerabilidade de certas regiões e a interrupção das comunicações levaram a diagnósticos equivocados, com casos de ebola sendo confundidos com malária e febre tifoide. Além disso, os testes iniciais foram direcionados para a cepa mais comum da doença, retardando a identificação do vírus bundibugyo.

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