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Republicanos no Senado dos Estados Unidos divergem sobre a criação de fundo bilionário de Donald Trump

30 de Maio de 2026 às 09:12

Republicanos no Senado dos Estados Unidos divergem sobre a aprovação de um fundo de US$ 1,8 bilhão para indenizar vítimas de instrumentalização política. O impasse suspendeu a votação de um projeto de US$ 72 bilhões para a repressão imigratória. Parlamentares exigem garantias formais e supervisão do Congresso sobre a distribuição dos recursos

Republicanos no Senado dos Estados Unidos divergem sobre a criação de fundo bilionário de Donald Trump
AP Photo/Jacquelyn Martin

Republicanos no Senado dos Estados Unidos enfrentam um impasse político ao retornar do recesso na próxima semana, divididos entre apoiar um fundo de US$ 1,8 bilhão criado por Donald Trump ou confrontar a influência do presidente sobre o partido. O recurso, destinado a indenizar vítimas de "instrumentalização" política com dinheiro público, originou-se de um acordo judicial entre o Departamento de Justiça e a Receita Federal (IRS) para encerrar um processo em que Trump pleiteava US$ 10 bilhões por suposto uso indevido de suas declarações fiscais.

A controvérsia em torno do fundo impactou a agenda legislativa, levando a liderança republicana a suspender a aprovação de um projeto de US$ 72 bilhões para financiar a repressão imigratória até o fim do mandato presidencial. Embora a votação para financiar a Patrulha da Fronteira e o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) esteja prevista, o partido busca agora que o Departamento de Justiça aceite salvaguardas para evitar que democratas utilizem emendas para desgastar a imagem do presidente.

Durante reunião com o procurador-geral interino, Todd Blanche, quase metade da maioria republicana de 53 senadores manifestou resistência à medida. Blanche afirmou que o dinheiro não seria destinado a familiares de Trump nem a condenados por crimes violentos, mas os parlamentares exigem que tais garantias sejam formalizadas por escrito, com critérios de elegibilidade, supervisão judicial e maior controle do Congresso na nomeação dos comissários. O líder da maioria, John Thune, solicitou clareza da Casa Branca e do Departamento de Justiça sobre essas proteções, mas não obteve respostas concretas até o momento.

A resistência interna é alimentada pelo temor de que o fundo beneficie apoiadores que invadiram o Capitólio em 6 de janeiro de 2021. A polêmica já atraiu pedidos de compensação, como o de James Troupis, ex-advogado de Trump, que solicita US$ 3,2 milhões por perdas reputacionais e custos processuais. O vice-presidente JD Vance também sugeriu que Tina Peters, condenada por adulterar máquinas de votação no Colorado, poderia ser elegível ao recurso.

O cenário político é agravado pela vulnerabilidade dos republicanos nas eleições de meio de mandato de novembro, pressionados pela alta de preços, a impopularidade da guerra com o Irã e a queda na aprovação de Trump. Estrategistas do partido consideram que a pauta não é eleitoralmente viável, mesmo para parlamentares em distritos seguros.

Além disso, o receio de represálias do presidente é evidente após as derrotas nas primárias dos senadores Bill Cassidy e John Cornyn. O senador Ron Johnson criticou a divulgação pública do fundo, argumentando que o momento do anúncio prejudicou a tramitação do financiamento do ICE e que a medida deveria ter sido conduzida via autoridade concedida ao Congresso.

A demanda por transparência também ecoa na Câmara dos Representantes. O deputado Mike Flood e a deputada Mariannette Miller-Meeks defenderam a necessidade de supervisão legislativa para definir quem controlará a distribuição dos recursos. Atualmente, um juiz federal mantém a suspensão temporária do governo para a implementação do fundo.

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